Milei autoriza Marinha brasileira na Argentina em meio à crise
Exercício ocorre tradicionalmente desde 1978
Kleber Pizão - 06/08/2026 21h47 | atualizado em 07/08/2026 11h42

O presidente da Argentina, Javier Milei, autorizou a entrada da Marinha do Brasil no país para um exercício no Atlântico Sul. A decisão, publicada nesta quinta-feira (6), ocorre em meio a uma crise diplomática entre o líder argentino e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Decreto 717/2026 permite a presença militar brasileira entre 10 e 24 de agosto. As atividades ocorrerão nas bases navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata, além de águas argentinas. A operação reúne navios de superfície, aeronaves e submarinos.
Batizada de Fraterno XXXIX, a missão ocorre anualmente desde 1978. O objetivo é treinar as forças para atuarem juntas em operações anfíbias e navais. O Brasil usará o submarino Humaitá, em sua primeira operação internacional na região.
O governo argentino afirma que a operação reforça a presença naval no Atlântico Sul, área considerada estratégica. A iniciativa busca melhorar o planejamento e o comando conjunto, demonstrando compromisso com a estabilidade e a segurança regional.
A cooperação militar contrasta com a tensão política. O Brasil retirou seu embaixador de Buenos Aires, Julio Bitelli, rebaixando a representação. A medida ocorreu após Milei apoiar Flávio Bolsonaro em São Paulo e proferir ofensas contra Lula.
O governo brasileiro confirmou que Bitelli não retornará ao posto. A gestão de Milei considerou a atitude lamentável, mas informou que não fará retaliações diplomáticas para evitar o aprofundamento da crise entre as duas nações sul-americanas.
Nesta quinta-feira, a senadora Patricia Bullrich pediu publicamente que o Brasil permita a volta do embaixador. A aliada de Milei defendeu que as divergências políticas sejam separadas das relações estratégicas e históricas mantidas pelos países.
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