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Lula chama ação dos EUA contra Maduro de “capítulo lamentável”

Declaração foi feita em artigo do petista publicado pelo jornal The New York Times

Paulo Moura - 18/01/2026 11h31 | atualizado em 19/01/2026 16h19

Lula durante coletiva na COP30 Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão do presidente Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro. Para o petista, o episódio simboliza “mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.

Segundo o chefe do Executivo brasileiro, o comportamento reiterado das grandes potências tem corroído, ano após ano, a autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e, sobretudo, de seu Conselho de Segurança. Lula diz ainda que quando a força passa a ser utilizada como instrumento recorrente para solucionar disputas, a consequência direta é a ameaça à paz e à estabilidade global.

– Se as normas forem seguidas apenas seletivamente, instala-se a anomia, que enfraquece não só os Estados individualmente, mas também o sistema internacional como um todo. Sem regras acordadas coletivamente, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas – diz o presidente brasileiro no artigo.

No texto, o petista diz que líderes políticos podem ser responsabilizados por atos que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais, mas defende que nenhum país pode se atribuir o papel de juiz internacional.

– Ações unilaterais ameaçam a estabilidade mundial, interrompem o comércio e o investimento, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais – declara.

Lula defende ainda uma agenda regional pragmática, capaz de superar divergências ideológicas em favor de resultados concretos. Entre as prioridades, ele cita investimentos em infraestrutura física e digital, geração de empregos de qualidade, aumento da renda e ampliação do comércio regional e internacional.

– A cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o narcotráfico e as mudanças climáticas. A história demonstra que o uso da força jamais nos aproximará desses objetivos. A divisão do mundo em zonas de influência e as incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos são ultrapassadas e prejudiciais – afirma.

Por fim, o chefe do Executivo brasileiro diz que seu governo mantém um diálogo construtivo com os Estados Unidos e lembra que os dois países são as maiores democracias do continente. Para ele, a união de esforços em torno de investimentos, comércio e combate ao crime organizado é a via mais eficaz para enfrentar os desafios regionais.

– Somente juntos poderemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós – finaliza.

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