Líderes europeus se queixam de acordo fechado com Trump
Para Viktor Orbán, presidente dos EUA "engoliu" a UE nas negociações
Pleno.News - 29/07/2025 09h50 | atualizado em 29/07/2025 13h33

O acordo comercial com os Estados Unidos anunciado neste domingo (27), gerou críticas de líderes de países-membros da União Europeia (UE) nesta segunda-feira (28). Segundo o Conselho Europeu, no ano passado, os países negociaram 2 trilhões de dólares (R$ 11 trilhões). Pelo novo pacto, a UE aumentará seus investimentos nos EUA e seus produtos serão taxados em 15% pelo país norte-americano. Carros, vinhos e itens de luxo são alguns dos setores-chave da economia europeia afetados.
O governo da França foi o mais estridente e disse ser contra o acordo. Para os líderes franceses, o bloco europeu deveria retaliar as taxas do presidente norte-americano, Donald Trump, frisando que a Europa saiu da mesa de negociações politicamente enfraquecida.
– É um dia sombrio quando uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar seus valores e defender seus interesses, resolve se submeter [aos EUA] – escreveu o primeiro-ministro François Bayrou em redes sociais.
As constantes ameaças de Trump encontravam a maior rejeição no presidente francês, Emmanuel Macron, que defendia que a única saída para o bloco era impor tarifas aos EUA como forma de demonstrar força.
Benjamin Haddad, ministro francês responsável por assuntos europeus, sugeriu que o acordo comercial de Trump constituía uma “tática predatória”.
– O livre-comércio que trouxe prosperidade compartilhada a ambos os lados do Atlântico desde o fim da Segunda Guerra está agora sendo rejeitado pelos Estados Unidos, que optaram pela coerção econômica e pelo completo desrespeito às regras da OMC – escreveu em rede sociais.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, considerou que o presidente dos Estados Unidos “engoliu” a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao fechar um acordo tarifário desfavorável para a União Europeia (UE) e “pior” do que o negociado por Londres com Washington.
MERCOSUL
Em entrevista coletiva nesta segunda, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que valoriza os esforços feitos pela Comissão Europeia e apoia o acordo tarifário, mas “sem nenhum entusiasmo”. Ele defendeu que os europeus “precisam agir em conjunto” e devem diversificar suas relações comerciais e citou o Mercosul.
– Na semana passada, estive em dois países que fazem parte do Mercosul. Eu acredito que esse é o caminho, temos de diversificar nossas relações comerciais, fazer isso com regiões e blocos.
Já a associação da indústria alemã VDMA, que representa mais de 3,6 mil empresas, instou a UE e os EUA a lidarem com o acordo firmado “não como um ‘novo normal'”.
– A UE deve agora fortalecer consistentemente sua competitividade, expandir o mercado interno, aumentar sua independência em defesa e matérias-primas, se afirmar como um espaço econômico aberto e concluir acordos comerciais com novos parceiros – escreveu o presidente da associação, Bertram Kawlath, em comunicado.
Para a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, o acordo foi “positivo”, pois avalia que “uma escalada comercial teria consequências imprevisíveis e potencialmente devastadoras”. Falando a jornalistas em um evento na Etiópia, a líder italiana disse que “ainda há uma luta a ser travada”, pois é preciso garantir que setores mais sensíveis sejam preservados.
A Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), o maior sindicato do país, avaliou que o bloco aceitou uma “rendição incondicional” que pode desencadear uma “tempestade perfeita” e colapsar a economia da Europa, especialmente da Itália.
*Com informações da AE e EFE
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