EUA encerram negociação por “falta de vontade” do Hamas
Grupo terrorista demonstrou desinteresse em negociar uma trégua na Faixa de Gaza
Pleno.News - 24/07/2025 17h24 | atualizado em 24/07/2025 18h06

O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, ordenou a retirada de sua equipe de negociação de Doha devido à “falta de vontade” do Hamas em alcançar uma trégua na Faixa de Gaza, depois que Israel anunciou o mesmo há algumas horas.
– Decidimos trazer nossa equipe de volta de Doha para consultas após a última resposta do Hamas, que demonstra claramente sua falta de vontade de chegar a um cessar-fogo em Gaza – anunciou em sua conta no X.
O enviado dos EUA disse que os mediadores “fizeram um grande esforço”, mas lamentou que o Hamas “não parece estar coordenado ou agindo de boa-fé” e considerará “alternativas” para garantir a libertação dos reféns israelenses.
– É uma pena que o Hamas tenha agido de forma tão egoísta. Estamos determinados a buscar um fim para esse conflito e uma paz permanente em Gaza – disse Witkoff.
O porta-voz adjunto do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, acrescentou que a situação é “muito dinâmica” e que o compromisso e a “boa-fé” dos EUA na situação nunca foram questionados.
– A questão aqui sempre foi o comprometimento do Hamas com um cessar-fogo ou sua disposição de conseguir um – comentou em entrevista coletiva em Washington.
Ele ainda criticou tanto a quebra dos vários cessar-fogos em vigor por parte do grupo islâmico palestino quanto a falta de disposição para promover um novo cessar-fogo.
Os Estados Unidos, segundo Witkoff, continuam comprometidos com o fim do conflito e com a tentativa de levar o máximo possível de ajuda a Gaza. Essa “catástrofe humanitária”, em sua opinião, “recai sobre o Hamas, que poderia encerrar o conflito agora, libertando os reféns e depondo suas armas”.
Nesta quinta-feira, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também anunciou o retorno da delegação israelense em Doha “à luz da resposta do Hamas nesta manhã” à proposta sobre a mesa para continuar as consultas em Doha.
Fontes próximas às negociações consultadas pelo canal de televisão israelense 12 apontam que o Hamas endureceu sua posição em relação a diferentes pontos de atrito nas negociações: quantos reféns serão libertados, as linhas de retirada do exército israelense e a presença da Fundação Humanitária para Gaza (GHF) dos EUA para distribuir ajuda no enclave.
O jornal Yedioth Ahronoth, o mais lido em Israel, afirma que, embora a proposta incluísse a libertação de 125 prisioneiros palestinos em prisões israelenses com penas de prisão perpétua e 1.200 detidos após o ataque de 7 de outubro de 2023, o Hamas passou a pedir a libertação de 150 e 2 mil, em cada caso.
Normalmente, o número de prisioneiros a serem liberados corresponde ao valor atribuído pelos islâmicos aos reféns israelenses que seriam liberados da Faixa, que muda dependendo de características como idade ou se eram soldados ativos.
Além disso, o Hamas está exigindo uma cláusula que impediria a retomada dos combates em Gaza após a trégua de 60 dias incluída na proposta, caso as partes não cheguem a um acordo sobre a transição para um cessar-fogo permanente durante esse período, diz o jornal.
A proposta atual afirma que as partes devem negociar uma transição de 60 dias para um cessar-fogo no final da ofensiva israelense e que, se não conseguirem chegar a um acordo, a trégua pode ser estendida até que o alcancem. No entanto, Netanyahu já ameaçou que, se as negociações não forem bem-sucedidas durante os 60 dias, Israel retomará a ofensiva.
*EFE
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