EUA cogitam controle interino de Gaza após derrota do Hamas
Segundo Antony Blinken, consenso é de que controle do território não volte a ser de Israel
Pleno.News - 01/11/2023 12h51 | atualizado em 01/11/2023 13h23

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, sugeriu, nesta terça-feira (31), que uma coalizão de países do Oriente Médio ou agências internacionais poderia assumir temporariamente o controle de Gaza após a derrota do Hamas. Em audiência no Senado americano, ele disse, porém, que o ideal seria que o governo ficasse a cargo da Autoridade Palestina (AP), que atualmente tem controle limitado de partes da Cisjordânia.
– Em algum momento, o que faz mais sentido é uma Autoridade Palestina revigorada e efetiva ter responsabilidade sobre a governança e segurança de Gaza – disse Blinken.
– Ainda é questionável se essa alternativa é viável no curto prazo. Se não for, há outros arranjos temporários, que podem envolver outros países da região. Agências internacionais também poderiam ajudar.
A grande questão sobre o pós-guerra envolve o que fazer com Gaza caso realmente o Hamas seja derrotado. Segundo Blinken, o único consenso entre americanos e israelenses é de que o governo do território não pode voltar a ser de Israel, como era antes de 2005.
Na semana passada, documentos do governo israelense, divulgados pela imprensa local, sugeriam um plano de transferência de civis de Gaza para acampamentos no Deserto do Sinai, no Egito. O presidente egípcio, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, já rejeitou a ideia.
DIFICULDADES
O Egito, segundo Sisi, não pretende acolher uma onda de refugiados palestinos. Ele teme que radicais possam continuar a lançar foguetes contra Israel, que retaliaria com ataques ao território egípcio.
Além disso, a alternativa preferencial dos EUA esbarra na própria direção da AP. Na última segunda (30), o primeiro-ministro Mohamed Shtayyeh rejeitou a possibilidade de assumir o controle de Gaza caso não haja uma solução que envolva a Cisjordânia.
– Deveríamos permitir que a AP assuma o controle de Gaza como se estivéssemos embarcando em um tanque israelense? – ironizou Shtayyeh.
Mais moderada que o Hamas, a AP estaria mais propensa a negociar um acordo de paz. Foi no contexto da dificuldade em encontrar uma solução que Blinken sugeriu um consórcio internacional para administrar Gaza. Nessa solução temporária, países árabes teriam a custódia do território até que a AP assumisse.
Outra alternativa seria um mandato de uma força de paz internacional, provavelmente das Nações Unidas.
*AE
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