Espanha fecha espaço aéreo para aviões dos EUA que vão à guerra
Decisão amplia tensão entre governos dos Estados Unidos e da Espanha
Pleno.News - 30/03/2026 10h23 | atualizado em 30/03/2026 13h00

O governo da Espanha ordenou o fechamento de seu espaço aéreo para voos dos Estados Unidos que participam da operação militar contra o Irã, que deu origem a um conflito no Oriente Médio que já se prolonga por mais de um mês.
A Espanha também não permite o uso de suas bases aéreas de Rota e Morón por aviões americanos, nem autoriza aeronaves destacadas em outros países europeus a utilizarem o espaço aéreo espanhol, segundo publicou nesta segunda-feira (30) o jornal El País e confirmaram à Agência EFE fontes do Ministério da Defesa espanhol.
Essa proibição não afeta os voos comerciais, segundo relataram à EFE fontes do gestor espanhol de navegação aérea Enaire, restringindo-se apenas às operações aéreas militares.
Posteriormente, a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, assegurou que o governo comunicou “clarissimamente” aos EUA, desde o início da operação militar, que a Espanha não autorizava o uso das bases nem a utilização de seu espaço aéreo para operações relacionadas à guerra.
Robles insistiu que a posição da Espanha em relação ao conflito é “muito clara”, por considerar que a intervenção é “profundamente ilegal e profundamente injusta”.
– [A Espanha] não vai autorizar em nenhum caso, nem o fez, nem o faz, nem o fará, a utilização das bases de Rota e Morón para ir a uma guerra à qual somos totalmente contrários, na qual não acreditamos e que nos parece profundamente ilegal e profundamente injusta – reiterou a ministra.
A negativa da Espanha ao uso dessas bases, operadas em conjunto com os EUA conforme regulado em um convênio bilateral, aumentou a tensão entre ambos os governos e fez com que o presidente americano, Donald Trump, criticasse as autoridades espanholas em inúmeras ocasiões.
No entanto, o Executivo espanhol segue contrário à intervenção de EUA e Israel no Irã e contra o uso dessas bases para tal fim, por considerar que a guerra viola o direito internacional, apesar das ameaças de Trump de impor um embargo comercial à Espanha.
Questionado se o fechamento do espaço aéreo pode deteriorar ou prejudicar as relações com os EUA, o primeiro-vice-presidente espanhol e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, comentou que a medida faz parte da posição do governo de não participar nem contribuir para o que disse considerar ser uma guerra iniciada de maneira “unilateral”.
Cuerpo ressaltou que as empresas espanholas trabalham hoje nas mesmas condições que outras europeias nos EUA e que o objetivo do Executivo é tentar melhorar as relações bilaterais entre Madri e Washington.
Em entrevista à emissora de rádio Cadena Ser, o ministro anunciou a abertura de dois novos escritórios econômicos em Boston e Houston para ajudar empresas espanholas a se estabelecerem nos Estados Unidos “de maneira efetiva e bem-sucedida”.
*EFE
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