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Entenda a crise entre Estados Unidos e China em 5 pontos

Comércio internacional, tecnologia, relação com Irã e comunismo são pontos de desavenças

Camille Dornelles - 27/07/2020 14h33

Trump e Xi Jinping Foto: Pleno.News

Os Estados Unidos e a China travam embates comerciais há anos, mas, recentemente, a crise entre os dois se intensificou em meio a suspeitas de intencionalidade na pandemia do novo coronavírus e também de roubo de dados médicos.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou nesta quarta-feira (22) que o Partido Comunista chinês é responsável por roubar informações de outros países.

– Há muito tempo, o Partido Comunista chinês rouba propriedade intelectual, não só americana, mas também europeia. Isso custa centenas de milhares de empregos, bons empregos de gente que trabalha duro, por toda a Europa e Estados Unidos, roubados pelo Partido Comunista chinês – declarou.

O presidente Donald Trump teria dado um “basta” com a decisão do fechamento do consulado chinês e Houston, Texas. Para entender o que levou até esse “basta”, o Pleno.News buscou especialistas que explicam o conflito atual entre Estados Unidos e China em cinco aspectos.

1. ACORDO COMERCIAL DE JANEIRO
Os acordos comerciais dos Estados Unidos e da China (não apenas entre si, mas com outras nações) são o principal ponto de embate entre os dois. Em janeiro deste ano, os presidentes Donald Trump e Xi Jinping assinaram um acordo bilateral para que as negociações entre os dois avançassem em 2020. Após a pandemia do novo coronavírus, a relação mudou. Em 11 de maio de 2020, Trump disse em coletiva de imprensa que não está interessado em reabrir as conversas relativas ao acordo. O presidente americano afirmou que “queria ver se eles vão cumprir o acordo que assinaram” antes de prosseguir com as negociações. A fala foi acompanhada novamente de críticas à forma como a China lidou com a pandemia do novo coronavírus. Ao mesmo tempo, uma reportagem do jornal estatal chinês Global Times, publicada também em 11 de maio, mostrou que há pressão dentro do governo da China para romper o acordo.

– Naturalmente, que se trata de encontrar a relação mais adequada na curva de oferta e demanda entre as economias em tempos de pandemia e a crise econômica que se instalou, assim como estar atento aos meios de pagamentos, aos projetos de parcerias estratégicas e à relação de confiança entre os países. Sem cooperação, os efeitos de qualquer crise são ainda mais sentidos e, num mundo globalizado, todos são afetados – declarou o relações internacionais Leandro Fraga ao Pleno.News.

2. TECNOLOGIA
A empresa chinesa Huawei ganhou relevância durante a atual pandemia por ser pivô de uma série de conflitos dos dois países pelo domínio da tecnologia 5G. O presidente norte-americano bloqueou as vendas de semicondutores para a Huawei, prejudicando sua produção. A decisão de Trump é mais um capítulo de uma série de embates entre a empresa chinesa e os EUA. Eles começaram em 2018, quando a diretora da Huawei e filha do fundador, Meng Wanzhou, foi presa por violar sanções americanas e enviar equipamentos americanos para o Irã. A Google rompeu relações com a Huawei, que perdeu cerca de 10 bilhões de dólares de faturamento.

– Os dois países competem procurando influenciar o Brasil sobre a decisão que o governo brasileiro vai ter que tomar em breve sobre quem irá distribuir a tecnologia 5G no país. Que não é apenas uma internet mais rápida, mas vai viabilizar carros autônomos, transporte, melhor sistema bancário. E os EUA não querem que o Brasil contrate a Huawei. Quando a China comprou um terço do sistema elétrico brasileiro ninguém prestou atenção. Por quê? Porque ainda não era visto como ameaça. Mas a gente precisa pensar estrategicamente – avaliou o relações internacionais Oliver Stuenkel.

Huawei foi retirada de operação da tecnologia 5G no Reino Unido Foto: Reprodução

3. ESPIONAGEM E SEGURANÇA NACIONAL
Atrelado ao aspecto da tecnologia, o governo dos Estados Unidos desconfia de espionagem cibernética pela China. A Huawei e o Partido Comunista Chinês negam as acusações, mas FBI, CIA e governo norte-americano investigam vazamento de dados de segurança nacional. A Casa Branca demonstra receio com a possibilidade de que a Huawei use seu alcance e participação na rede de quinta geração para capturar dados e entregá-los ao governo chinês.

Quando a China comprou um terço do sistema elétrico brasileiro ninguém prestou atenção

4. INVESTIMENTOS
A tensão entre as duas maiores economias do mundo se acirrou em 2020 e foi traduzida na redução de investimentos. No primeiro trimestre de 2020, o investimento direto chinês em projetos norte-americanos foi apenas 10% da realizada em 2019. Investimentos americanos em empresas chinesas também diminuíram. Cerca de 600 bilhões de dólares deixarão de ser repassados para empresas da China. Esse dinheiro é de contribuição pública dos americanos e o governo dos Estados Unidos declara que “não é justo investir em empresas que atuam contra os interesses nacionais”. A redução de investimentos afeta as bolsas de valores e o câmbio.

– O mercado está atento na crescente tensão entre os norte-americanos e chineses. No Brasil, os olhares estão principalmente voltados também ao problema da Covid-19, já que os números de infectados e mortos continuam altos. O dólar deve manter o caminho sem definição, mas rodando em torno dos R$ 5,20 – diz Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas.

O governo dos Estados Unidos declara que “não é justo investir em empresas que atuam contra os interesses nacionais”

5. CONTROLE DO PARTIDO COMUNISTA
Por se tratar de um país capitalista e outro comunista, o conflito entre Estados Unidos e China também é muito pautado nos conflitos sociopolíticos. Segundo o mestre em relações internacionais Thiago de Aragão, “enquanto o Partido Comunista estiver à frente do governo da China, haverá essa visão antagônica com os EUA”.

– Na China, o nacionalismo é muito forte, o patriotismo é elevado. Há a compreensão de que os Estados Unidos querem prejudicá-los. A China entende que todas as ações americanas visam, em última instância, minar o poder do Partido Comunista Chinês, logo, sua existência. Enquanto um sentir que sua existência conceitual está ameaçada pelo outro, não haverá acordos pontuais que resolverão isso. No máximo pausas e alterações momentâneas de foco – explicou.

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