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Números econômicos desatualizados fazem com que país não seja beneficiado pela iniciativa Covax

Pleno.News - 01/07/2021 11h32 | atualizado em 01/07/2021 12h11

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro Foto: EFE/Prensa Miraflores

Desde dezembro de 2020, o Covax, iniciativa global para garantir acesso rápido e equitativo a vacinas contra a Covid-19 a todos os países, anunciou acordos que permitiram a destinação de ao menos 1,3 bilhão de doses de imunizantes financiadas por doadores a 92 países de economias de baixa e média renda.

Olhando o mapa da distribuição dessas vacinas hoje, a Venezuela não está entre os beneficiados. O motivo? O governo de Nicolás Maduro não atualiza os dados econômicos desde 2014, e, de acordo, com as cifras oficiais da época, o país entrou na categoria de renda autossuficiente para a compra de imunizantes.

A Venezuela poderia estar hoje com 20% da sua população vacinada, mas vive um drama com relação à propagação da Covid e o atraso na vacinação.

O país com PIB per capita de cerca de 1,5 mil dólares (R$ 7.518 na cotação atual), de acordo com organizações que monitoram a situação econômica local, não figura entre os países menos desenvolvidos, e sim como um dos capazes de comprar imunizantes porque, em 2014, os dados mostravam uma renda per capita de 13 mil dólares (R$ 65,1 mil na cotação atual).

Outros países das Américas (como Bolívia, El Salvador, Honduras e Nicarágua) fazem parte da lista e já receberam, juntas, mais de 2,8 milhões de doses de diferentes imunizantes, segundo dados do Covax até quarta-feira (30).

Dos 190 países participantes do sistema Covax, 92 são considerados de economias de baixa e média renda elegíveis para o Compromisso Antecipado de Mercado (AMC), ou seja, recebem os imunizantes por meio de financiamento. Os outros 98 países, considerados de economias de alta renda, precisam comprar as vacinas do sistema.

Essa divisão é feita com base em dados da renda bruta per capita dos países, disponibilizados pelo Banco Mundial para o ano de 2019. Lá, os últimos dados da Venezuela são os de 2014. Mas, nos últimos sete anos, o PIB do país diminuiu, a produção de petróleo está nos níveis mais baixos, e a população enfrenta um grave crise econômica, com escassez de alimentos e remédios.

Esse seria então o outro caminho natural da Venezuela. O governo Maduro assinou um acordo para a compra de 11,3 milhões de doses de vacinas e teria que pagar 119,9 milhões de dólares (R$ 597,3 milhões), sendo que 15% desse valor deveria ser pago de forma antecipada para garantir as vacinas “reservadas”. Mas o país não pagou o necessário a tempo.

Depois de algumas negociações, Caracas decidiu, em abril deste ano, que escolheria a vacina que queria e pagaria o valor necessário na íntegra para receber o imunizante.

Um documento do Covax mostra que a Aliança Global para as Vacinas (Gavi) recebeu 109,9 milhões de dólares (R$ 551,6 milhões) da Venezuela em 12 transações, mas quatro pagamentos haviam sido bloqueados. Dessa forma, o país não recebeu ainda as 5 milhões de doses do imunizante Janssen (Johnson & Johnson), primeira vacina de dose única aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governo Maduro afirma que o embargo imposto pelos Estados Unidos impediu a liberação do dinheiro. No entanto, o governo de Joe Biden emitiu uma licença, no dia 16 de junho, para excluir as questões relacionadas ao combate à Covid das sanções.

Até 14 de junho, a Venezuela recebeu 3,23 milhões de vacinas após acordos com Rússia e China.

*AE

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