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Canadá e Índia decidem expulsar diplomatas após morte de ativista

"Estamos simplesmente expondo os fatos tal como os entendemos", disse Trudeau

Pleno.News - 19/09/2023 20h40 | atualizado em 20/09/2023 13h14

Primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau Foto: EFE/Francois Mori

Nesta terça-feira (19), a Índia expulsou um importante diplomata do Canadá e acusou o país de interferir nos seus assuntos internos. A medida intensifica um confronto entre as duas nações, devido a acusações de que o governo indiano poderia estar envolvido no assassinato de um ativista da minoria Sikh, que tinha a cidadania canadense.

O Canadá expulsou, nesta segunda-feira (18), um diplomata indiano em Ottawa depois de declarações do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, que afirmou que existem indícios de que o governo da Índia poderia estar envolvido na morte de Hardeep Singh Nijjar.

O assassinato do ativista aconteceu no dia 18 de junho. Ele foi morto no estacionamento de um templo Sikh na cidade de Vancouver.

– O governo da Índia precisa levar este assunto com a maior seriedade. Estamos fazendo isso. Não pretendemos provocar ou escalar. Estamos simplesmente expondo os fatos tal como os entendemos – disse Trudeau a repórteres em Ottawa, nesta terça-feira.

A troca de acusações aumentou as tensões entre Ottawa e Nova Déli. Trudeau e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, chegaram a se encontrar durante a cúpula do G20, mas o Canadá cancelou uma missão comercial ao país asiático logo após o encontro do bloco.

Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia Foto: EFE/ HARISH TYAGI

A minoria Sikh possui um movimento para estabelecer um país independente, conhecido como Khalistão, que seria estabelecido em algumas regiões do território indiano. Nos anos 80, uma rebelião do grupo Sikh na Índia foi reprimida pelo país asiático

Nijjar, que é um cidadão canadense, era procurado pelas autoridades indianas, que o acusaram de ligações com o terrorismo durante anos e ofereceram uma recompensa em dinheiro por informações que levassem à sua detenção. Nijjar negou as acusações e estava trabalhando com um grupo conhecido como Justiça pelos Sikhs para organizar um referendo não oficial da diáspora Sikh sobre a independência da Índia no momento de seu assassinato.

ÍNDIA NEGA
O ministério das Relações Exteriores da Índia rejeitou a alegação e a classificou como “absurda”, acusando o Canadá de abrigar “terroristas e extremistas”.

– Essas alegações infundadas procuram desviar o foco dos terroristas e extremistas que receberam abrigo no Canadá e continuam a ameaçar a soberania e a integridade territorial da Índia – disse o comunicado desta terça.

A Índia exige há algum tempo que o Canadá tome medidas contra o movimento de independência Sikh, que é proibido na Índia, mas tem apoio em países como o Canadá e o Reino Unido, que têm populações consideráveis da diáspora Sikh. O Canadá tem uma população Sikh de mais de 770 mil habitantes, cerca de dois por cento de sua população.

Em março, o governo de Modi convocou o alto comissário canadense em Nova Déli, o principal diplomata do país, para reclamar dos protestos pela independência Sikh no Canadá.

G20
Trudeau afirmou ao Parlamento canadense que abordou o assassinato de Nijjar com Modi na reunião do G20 em Nova Déli na semana passada. O primeiro-ministro afirmou que indicou para Narendra Modi que qualquer envolvimento do governo indiano seria inaceitável e pediu cooperação na investigação. Já Modi expressou “fortes preocupações” sobre a forma como o Canadá lidou com o movimento de independência Sikh durante uma reunião com Trudeau, disse o comunicado da Índia.

A declaração apelou ao Canadá para trabalhar com a Índia no que Nova Déli disse ser uma ameaça à diáspora da Índia no Canadá e acusou o movimento Sikh de “promover o secessionismo e incitar a violência” contra diplomatas indianos.

ALIADOS
Ottawa pediu aos seus aliados mais próximos, incluindo Washington, que condenassem publicamente o assassinato. Mas as propostas foram rejeitadas, sublinhando o equilíbrio diplomático que a administração do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e os seus aliados enfrentam enquanto trabalham para cortejar a Índia, potência asiática vista como um contrapeso fundamental à China.

Michael Kugelman, analista do Wilson Center, avalia que a disputa representa um dilema para os governos ocidentais, incluindo a administração Biden, que articulou uma “política externa baseada em valores que visa enfatizar os direitos e a democracia”.

– Os EUA precisam caminhar na corda bamba diplomática, já que o Canadá é um aliado e vizinho, enquanto a Índia é um parceiro estratégico fundamental. Haverá pressão sobre Washington para apoiar o Canadá, mas ao mesmo tempo os EUA valorizam, em grande medida, a sua relação com a Índia – disse.

*AE

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