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Brasileiros assinam carta contra embargo de Biden à Cuba

Carta aberta foi publicada no jornal The New York Times

Monique Mello - 24/07/2021 16h39 | atualizado em 24/07/2021 17h11

Lula, Wagner Moura e Chico Buarque Foto: Reprodução

O ex-presidente Lula (PT) assinou uma carta aberta pedindo para que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, interrompa imediatamente os embargos em relação à Cuba. Além de Lula, mais de 400 ex-chefes de estado, políticos, intelectuais, cientistas, religiosos, artistas, ativistas e movimentos sociais de todo o mundo assinaram o documento.

Dentre as personalidades brasileiras, que totalizam 48, estão a deputada Gleisi Hoffmann, o compositor Chico Buarque, o ator Wagner Moura e o frade dominicano Frei Betto.

Já entre os nomes internacionais, aparecem os atores Jane Fonda, Susan Sarandon, Emma Thompson, Danny Glover, Mark Ruffalo, além do linguista Noam Chomsky e o ex-presidente do Equador Rafael Correa, bem como os movimentos Black Lives Matter (EUA) e o MST.

O presidente Joe Biden disse, nesta quinta-feira (23), que as novas sanções dos EUA contra Cuba têm como alvo os responsáveis por reprimir manifestações naquele país e que este é apenas o primeiro passo na resposta norte-americana.

– Este é apenas o começo. Os EUA condenam as detenções em massa e os julgamentos simulados em Cuba e vão continuar punindo os indivíduos responsáveis pela opressão do povo cubano – afirmou o democrata em um comunicado.

Na semana passada, milhares de cubanos realizaram protestos contra a crise econômica que gerou falta de bens básicos e de energia. Eles também se manifestaram contra a maneira como o governo tem lidado com a pandemia e a limitações das liberdades civis. Centenas de ativistas foram detidos.

A carta foi publicada como um anúncio no jornal The New York Times nesta sexta-feira (23).

Veja na íntegra:

Caro Presidente Joe Biden,

É hora de dar um novo rumo adiante nas relações entre os Estados Unidos da América e Cuba. Nós, abaixo assinados, estamos fazendo este apelo público e urgente a vocês para que o senhor rejeite as políticas cruéis postas em prática pela Casa Branca de Trump, que causaram tanto sofrimento para o povo cubano.

Cuba – um país de onze milhões de habitantes – está passando por uma difícil crise devido à crescente escassez de alimentos e medicamentos. Protestos recentes chamaram a atenção do mundo para isso. A pandemia de Covid-19 se mostrou um desafio para todos os países e o foi ainda mais para uma pequena ilha sob o peso de um embargo econômico.

Consideramos inescrupuloso, especialmente durante uma pandemia, bloquear intencionalmente as remessas e o uso de instituições financeiras globais por parte de Cuba, visto que o acesso a dólares é necessário para a importação de alimentos e medicamentos.

Quando a pandemia atingiu a ilha, seu povo – e seu governo – perderam bilhões em receitas advindas do turismo internacional que normalmente iriam para o sistema público de saúde, distribuição de alimentos e ajuda econômica.

Durante a pandemia, a administração de Donald Trump endureceu o embargo, pôs de lado a abertura de Obama e pôs em prática 243 “medidas coercitivas” que intencionalmente estrangularam a vida na ilha e criaram mais sofrimento.

A proibição de remessas e o fim dos voos comerciais diretos entre os EUA e Cuba são impedimentos ao bem-estar da maioria das famílias cubanas.

“Apoiamos o povo cubano”, você escreveu em 12 de julho. Se é esse o caso, pedimos que você assine imediatamente uma ordem executiva e anule as 243 “medidas coercitivas” de Trump.

Não há razão para manter a política da Guerra Fria que exigia que os EUA tratassem Cuba como um inimigo existencial em vez de um vizinho. Em vez de manter o caminho traçado por Trump em seus esforços para desfazer a abertura do presidente Obama a Cuba, nós contamos com o senhor para seguir em frente. Retomar a abertura e iniciar o processo de encerramento do embargo. Acabar com a severa escassez de alimentos e medicamentos tem que ser a principal prioridade.

Em 23 de junho, a maioria dos estados membros das Nações Unidas votou para solicitar aos EUA para acabar com o embargo. Nos últimos 30 anos, esta tem sido a posição consistente da maioria dos Estados membros. Além disso, sete relatores especiais da ONU escreveram uma carta ao governo dos EUA em abril de 2020 sobre as sanções a Cuba.

“Na emergência de pandemia”, eles escreveram , “a falta de vontade do governo dos EUA em suspender as sanções pode levar a um maior risco de sofrimento em Cuba”.

Pedimos que acabe com as “medidas coercitivas” de Trump e retorne à abertura de Obama ou, melhor ainda, inicie o processo de fim do embargo e normalização total das relações entre os Estados Unidos e Cuba.

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