Leia também:
X EUA: Mais de 15 milhões de casos de supergripe são registrados

“Brasil apoia o regime islâmico”, afirma refugiada iraniana

Mahsima Nadim relatou a repressão da teocracia do Irã em entrevista ao Pleno.News

Thamirys Andrade - 14/01/2026 15h55 | atualizado em 14/01/2026 17h28

Entrevista com Mahsima Nadim Foto: Pleno.News

Mahsima Nadim deixou seu país natal, o Irã, em 2012 e veio buscar refúgio em São Paulo, devido à falta de liberdade para as mulheres de seu país. Desde então, ela vem denunciando as violações dos direitos humanos por parte do regime islâmico dos aiatolás e vê com grande consternação – e lágrimas nos olhos – a morte de milhares de manifestantes iranianos nos últimos dias.

Em entrevista ao Pleno.News, Mahsima relatou suas vivências no país, contando ter chegado a ser presa pela polícia da moralidade por diversas vezes, em razão das rigorosas regras impostas às mulheres locais.

– Na época em que eu estava morando lá, a polícia da moralidade me levou. Me machucaram, me xingaram, me levaram para a prisão, para a delegacia. Foram várias vezes. Mas duas vezes foram piores, porque não me liberaram. Chamaram minha família para trazer roupa para mim. Eles falam de um jeito com você mulher, como se fosse criminosa porque apareceu o seu cabelo, fios do seu cabelo. Mesmo estando tudo fechado e só o cabelo apareceu. Se seu vestido ou casaco ficou curto, mesmo você estando de calça. Foi assim que me levaram. Coisas absurdas. Você fala assim: “Nossa, eu não sou ladra, eu não sou esse tipo de pessoa. Eu tô só vivendo”. E para eles eu sou criminosa, porque não obedeço as coisas que eles mandaram – relatou a maquiadora.

Mahsima descreve o governo de seu país como “terrorista” e defende que o regime representa uma ameaça não só para o seu povo, mas também para o mundo. Em sua avaliação, há poucos países condenando de forma contundente as ações do Irã, e o Brasil é uma das nações que estariam sendo lenientes.

– O Brasil sempre ficou neutro. A política do Brasil, para mim, não é clara. Eles não falam, não se posicionam sobre a ditadura do Irã. Na verdade, a política que existe hoje no Brasil infelizmente apoia o regime islâmico porque tem imagem do presidente, que pegou a mão do aiatolá, que são terroristas. Isso para um povo que apoia os direitos humanos não faz sentido. Não é uma imagem pacífica, que o mundo vê e fala que o Brasil está do lado correto da história. Infelizmente esse governo do Brasil está fazendo coisas que não são certas. Eu não gosto de falar sobre política do Brasil. Mas hoje em dia eu sou iraniana-brasileira. Eu espero que o Brasil fale sobre isso porque isso é também o futuro das brasileiras. Quem pega na mão de ditadura é um perigo para o Brasil também – analisou.

Embora não hajam registros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segurando a mão do aiatolá Ali Hosseini Khamenei, há fotos do petista trocando aperto de mão com o até então presidente do Irã, Ebrahim Raisi, na Cúpula do Brics em agosto de 2023.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), por sua vez, causou polêmica ao comparecer a cerimônia oficial de posse do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em julho de 2024, sentando-se ao lado de diversos líderes religiosos e políticos islâmicos, incluindo Ismail Haniyeh, líder político do Hamas.

Lula e Ebrahim Raisi Foto: Ricardo Stuckert / PT

No decorrer da entrevista, Mahsima se comoveu ao falar sobre seu sonho de que os quase 10 milhões de iranianos exilados em outros países um dia possam retornar para sua nação sem medo.

– Quase 10 milhões de pessoas estão no exílio, fora do Irã. Como eu. Tem muitos iranianos que moram em outros países. [Espero que] a gente possa voltar para o nosso país, ver nossas famílias. Porque muitos iranianos, jornalistas, ativistas que falam sobre o Irã não conseguem voltar. Se voltar, correm risco de morte. Então, o que a gente quer é só isso, uma vida normal. Para qualquer pessoa do mundo e para o povo do Irã. A gente tem que abrir as portas para o mundo, para o mundo conhecer o país tão antigo, tão cultural, tão milenar. Eu acho que devia ser um direito de todo mundo conhecer o Irã porque a civilização vem de lá. O Irã é um país que sempre tinha respeito, que estava longe de guerras, longe de ações terroristas. Nós somos de paz, um povo de alegria, felicidade. Um povo que quer só viver – garantiu.

Assista à entrevista completa a seguir:

Leia também1 Lula telefona para Putin e trata sobre crise na Venezuela
2 Irã avisa que vai bombardear bases dos EUA em caso de ataque
3 Veja os principais dados da Lista Mundial da Perseguição 2026
4 Irã acusa Trump de criar pretexto para intervenção militar
5 Trump envia apoio aos iranianos: "A ajuda está a caminho"

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Canal
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.