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Joe Biden reconhece genocídio armênio e irrita Turquia

Ministro das Relações Exteriores da Turquia criticou o presidente americano

Pleno.News - 24/04/2021 20h41 | atualizado em 24/04/2021 20h44

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos Foto: EFE/EPA/Doug Mills

Joe Biden tornou-se neste sábado o primeiro presidente dos Estados Unidos no exercício do cargo a descrever como “genocídio” a matança de 1,5 milhão de armênios pelo Império Otomano a partir de 1915, uma decisão que atraiu uma grande rejeição da Turquia.

O anúncio de Biden promete enfraquecer o relacionamento dos EUA com a Turquia, um de seus aliados mais importantes na Otan e um parceiro estratégico fundamental para o avanço das prioridades de Washington no Oriente Médio.

– O povo americano presta homenagem a todos aqueles armênios que faleceram no genocídio que começou há 106 anos – disse Biden em um comunicado sobre o aniversário do massacre.

TURQUIA VÊ “ERRO GRAVE” DE BIDEN
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavusoglu, criticou imediatamente a decisão de Biden, classificando-a como um “grave erro”, e o acusou de se deixar influenciar pela pressão de “círculos armênios radicais e grupos anti-turcos”.

– O oportunismo político é a maior traição à paz e à justiça. Rejeitamos completamente esta declaração baseada unicamente no populismo – escreveu o ministro turco no Twitter.

A Turquia recusa-se firmemente a aceitar o termo genocídio para descrever o massacre, e embora reconheça as mortes de cristãos armênios entre 1915 e 1923, as enquadra em um contexto de guerra com a Rússia na Anatólia oriental durante a Primeira Guerra Mundial.

Entretanto, muitos historiadores consideram o massacre o primeiro genocídio do século 20, que ocorreu quando o Império Otomano, então em declínio e antecessor da Turquia moderna, deportou maciçamente a população civil armênia para a Síria por medo de se aliar à Rússia.

Muitos dos deportados (1,5 milhão, segundo várias estimativas de historiadores) foram mortos ao longo do caminho por soldados otomanos, por mercenários curdos ou de fome ou doenças.

CAMINHO PARA DECISÃO DE BIDEN
Ao menos 29 países reconheceram o massacre como genocídio durante décadas, e a pressão para que os Estados Unidos fizessem o mesmo cresceu nos últimos anos, alimentada por vários membros do Congresso e pela grande diáspora armênia do país.

O Congresso americano já aprovou resoluções para usar a palavra em 2019, e o ex-presidente Barack Obama enfrentou forte pressão para fazer o mesmo durante seu mandato (2009-2017), mas acabou evitando a medida para não prejudicar os laços com a Turquia.

Com a decisão, Biden quer mostrar que os direitos humanos serão um pilar de sua política externa, e em seu comunicado enfatizou o desejo de “evitar que atrocidades ocorram no futuro, em qualquer lugar do mundo”.

“-azemos isso não para lançar a culpa, mas para garantir que o que aconteceu nunca se repita – enfatizou Biden, que usou duas vezes a palavra “genocídio” no texto.

Reconhecer o genocídio armênio foi uma promessa eleitoral de Biden, e há um ano o então candidato do Partido Democrata à presidência enfatizou a importância de chamar as coisas pelo devido nome.

– Se não reconhecermos completamente, lembrarmos e ensinarmos nossos filhos sobre o genocídio, as palavras ‘nunca mais’ perdem seu significado – disse Biden em 2020, em outro comunicado.

ALEGRIA NA ARMÊNIA, TENSÃO COM ERDOGAN
O primeiro ministro da Armênia, Nikol Pashinian, enviou um telegrama a Biden neste sábado para agradecer pelo gesto, que ele considerou “um passo poderoso no caminho do restabelecimento da verdade e da justiça histórica”.

Menos agradável foi a conversa telefônica que Biden teve ontem com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, na qual confirmou que reconheceria o genocídio armênio, algo que vários veículos de imprensa dos Estados Unidos haviam antecipado na quarta-feira que seria feito.

Na conversa, Biden mostrou interesse em conseguir uma “gestão eficaz dos desacordos”, e ambos concordaram em se reunir pessoalmente em junho, durante a cúpula da Otan em Bruxelas.

Será a primeira reunião entre os dois desde que Biden, que atrasou por meses a primeira conversa telefônica com Erdogan – um líder com quem teve um relacionamento frio quando era vice-presidente no governo de Barack Obama -, tomou posse.

Os laços entre EUA e Turquia enfraqueceram nos últimos anos, especialmente após o fracassado golpe militar de 2016 pelo qual Erdogan culpa o clérigo islâmico Fethullah Gülen, que está em autoexílio justamente nos Estados Unidos.

As relações ganharam um tom ainda mais crítico após a ofensiva da Turquia contra as milícias curdas no nordeste da Síria em 2019 e a compra, pelo país, do sistema russo de mísseis antiaéreos S-400, rejeitado pela Otan, o que levou Washington a impor sanções a Ancara no ano passado.

*Com informações da Agência EFE

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