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72h para sair: Venezuela expulsa embaixadora da União Europeia

Crise diplomática se acirrou após bloco europeu impor sanções políticas ao país

Pleno.News - 25/02/2021 14h23 | atualizado em 25/02/2021 14h54

Embaixadora da União Europeia na Venezuela, Isabel Brilhante é expulsa do país Foto: EFE/Rayner Peña

O governo da Venezuela declarou “persona non grata” e expulsou a embaixadora da União Europeia (UE) em Caracas, lhe dando 72 horas para que deixe o país após novas sanções do bloco contra funcionários venezuelanos. O anúncio da retaliação foi feito pelo chanceler Jorge Arreaza nesta quarta-feira (24). “Estamos fazendo isso porque as circunstâncias o exigem”, disse o chanceler.

– Hoje (ontem), por decisão do presidente Nicolás Maduro, entregamos nas mãos da senhora Isabel Brilhante a declaração de persona non grata. Foi dado um prazo de 72 horas para abandonar o território venezuelano – disse o ministro de Relações Exteriores venezuelano, Jorge Arreaza, à imprensa após uma reunião com a diplomata em Caracas.

A expulsão da diplomata portuguesa é uma retaliação às novas sanções do bloco contra 19 funcionários venezuelanos, que incluíram o congelamento de bens na UE e a proibição de entrada nos países-membros. Foi assim que Bruxelas respondeu às eleições parlamentares de 6 de dezembro, marcadas pela ausência de candidatos de boa parte dos partidos da oposição e elevada abstenção. As eleições não foram reconhecidas por União Europeia, Estados Unidos e por grande parte dos países da América Latina.

A decisão europeia atingiu deputados, como José Brito e Bernabé Gutiérrez e integrantes do Conselho Nacional Eleitoral, incluindo sua presidente, Indira Alfonzo. Também foram sancionados o comandante do órgão máximo da Força Armada Bolivariana, Remigio Ceballos; e o governador do estado de Zulia, Omar José Prieto, além de chefes de polícia e militares.

É a segunda vez, desde junho de 2020, que a Venezuela expulsa o representante da UE do país por causa de sanções aplicadas pelos europeus. Em meados do ano passado, porém, Caracas anulou a decisão em uma tentativa de melhorar as relações diplomáticas com o bloco, mediadas pelo opositor Henrique Capriles, que na época cogitava participar das eleições de dezembro.

Após o anúncio da expulsão, a UE disse, em nota, que a decisão de Caracas “isolará ainda mais o país”, e pediu que o governo reconsidere a medida.

– A Venezuela só superará sua crise atual através da negociação e do diálogo, com o que a UE está plenamente comprometida, mas essa decisão prejudica diretamente – disse Nabila Massrali, porta-voz do chefe de política exterior do bloco, Josep Borrell.

Em uma declaração divulgada na televisão estatal, o chanceler venezuelano explicou a decisão.

– Temos feito todos os esforços para estabilizar a convivência democrática no país e mais uma vez recebemos sanções, entre aspas, contra magistrados, contra o Judiciário, contra o poder eleitoral. É realmente inaceitável. O presidente Maduro foi generoso quando permitiu que os chefes da missão permanecessem na Venezuela – finalizou.

*Estadão

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