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Plano de vacinação da Venezuela dá prioridade a políticos

Primeiros grupos incluem profissionais da saúde, burocratas do regime, militares e deputados - a maioria ligada ao chavismo

Pleno.News - 19/02/2021 11h32 | atualizado em 19/02/2021 12h17

País iniciou a vacinação nesta quinta-feira Foto: EFE/Miraflores Press

O governo da Venezuela começou nesta quinta-feira (18) seu programa de vacinação em massa. Segundo o presidente, Nicolás Maduro, os primeiros imunizados com a vacina russa Sputnik V serão os profissionais de saúde. A lista de prioridades, no entanto, inclui burocratas do regime, militares e deputados – a maioria ligada ao chavismo.

A Venezuela tem cerca de 1 milhão de profissionais de saúde, de acordo com organizações médicas. Segundo Maduro, eles serão os primeiros a serem vacinados. No entanto, os grupos que vêm depois é que chamam a atenção. A lista de prioridades do governo inclui “pessoas com funções sociais que protegem a população nas ruas” – segundo Maduro.

Na prática, os vacinados serão agentes das forças de segurança, militares e altas autoridades governamentais, incluindo os 277 deputados da Assembleia Nacional, dos quais 92% são ligados ao chavismo, eleitos nas eleições de 6 de dezembro, que a oposição afirma terem sido fraudadas.

Segundo Maduro, ele e sua mulher, Cilia Flores, que também é deputada, deveriam ser vacinados o quanto antes.

– Ainda vamos decidir o momento em que nós [Maduro e Cilia] seremos vacinados – afirmou o presidente, antes de rasgar elogios à vacina Sputnik V, que, segundo ele, “é a melhor vacina do mundo”.

O objetivo do governo chavista é vacinar 70% da população venezuelana até o final do ano. Na semana passada, Maduro confirmou a chegada de 100 mil doses da Sputnik V e está em negociações para comprar mais vacinas usando recursos congelados pelo programa de sanções dos EUA. Até agora, o chavismo comprou um total de 10 milhões de doses da vacina russa, pelas quais teria pagado US$ 200 milhões, segundo informou o próprio Maduro. O anúncio foi criticado ontem pela oposição.

– Os critérios para a aplicação da vacina devem priorizar o setor saúde e os idosos, [e] não aqueles que sequestram o poder como o ditador pretende fazer – escreveu no Twitter o líder opositor Juan Guaidó, que não deixou passar o dinheiro gasto com a Sputnik.

– O custo da vacina russa é inferior a US$ 10 [por dose]. Se a ditadura diz que investiu US$ 200 milhões para trazer 10 milhões de doses, estamos falando que cada vacina custou US$ 20 – completou Guaidó.

Outras vozes da oposição também criticaram a politização da vacina.

– Exigimos que a população da Venezuela seja vacinada, começando pelos mais vulneráveis ao coronavírus, com critérios internacionais que não sejam usados politicamente – disse a ex-deputada de oposição Dinorah Figuera.

O governo venezuelano, porém, comemorou o início do programa de vacinação.

– Hoje, começamos o plano para servir aqueles que estão na linha de frente da luta contra o coronavírus – disse a vice-presidente, Delcy Rodriguez, em pronunciamento na TV.

– Nos próximos meses, teremos mais de 70% da população vacinada e alcançaremos a chamada imunidade de rebanho – garantiu o ministro da Saúde, Carlos Alvarado.

PROFISSIONAIS DA SAÚDE
Os números oficiais mostram que a Venezuela teve um total de 134.319 casos de covid-19 e 1.297 mortes. No entanto, especialistas e líderes da oposição afirmam que o número é muito maior.

O sistema de saúde venezuelano é um reflexo da crise econômica vivida pelo país. Médicos e enfermeiros frequentemente reclamam dos baixos salários e das más condições de trabalho nos hospitais públicos, que sofrem com a falta de água, energia e remédios.

No hospital Miguel Perez Carreno, no oeste de Caracas, 150 enfermeiras – 90% do total – não compareceram ao trabalho ontem, em protesto contra o salário de apenas US$ 3 (pouco mais de R$ 16) por mês.

*Estadão

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