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Pentágono admite se aliar ao Talibã para combater EI afegão

"Na guerra, você faz o que se deve fazer", disse o general Mark Milley

Pleno.News - 03/09/2021 09h23 | atualizado em 03/09/2021 09h43

Pentágono, EUA Foto: Wikimedia

O chefe do Estado-Maior dos EUA, general Mark Milley, disse na quinta-feira (2), ser possível que os americanos coordenem com o Talibã a luta contra a facção afegã do Estado Islâmico. Milley, porém, recusou-se a fazer previsões sobre uma possível aliança com o novo regime do Afeganistão.

– Na guerra, você faz o que se deve fazer, mesmo que não seja aquilo que gostaria de fazer – disse o general.

Quando questionado se os EUA cooperariam com o Talibã contra o Estado Islâmico Khorasan, o braço afegão do EI, também conhecido como Isis-K, o general disse que há essa possibilidade.

A capacidade de o Talibã controlar o grupo tornou-se uma questão de grande preocupação internacional, depois que o Isis-K assumiu a responsabilidade por um ataque ao aeroporto de Cabul, que deixou 170 civis e 13 militares americanos mortos nos últimos dias da retirada dos EUA.

Comandantes americanos trabalharam com o Talibã para facilitar a retirada de mais de 124 mil pessoas do Afeganistão, nas últimas semanas. Tanto os EUA quanto o Talibã veem no Estado Islâmico uma ameaça comum: o grupo terrorista islâmico considera o Talibã muito moderado e tem nos EUA um inimigo declarado.

Americanos e aliados têm trabalhado para recalibrar seu relacionamento com o Talibã – um grupo que permanece nas listas de vigilância de terroristas em todo o mundo. Nas últimas semanas, os EUA cooperaram com o grupo para garantir a segurança do aeroporto de Cabul, e oficiais de defesa admitiram que existe a possibilidade de a ameaça representada pelo Isis-K exigir um trabalho conjunto no futuro.

Uma crescente crise humanitária e econômica pode levar ainda mais afegãos a buscar uma saída. Os preços dos alimentos mais básicos, como ovos e farinha, dispararam. Os alimentos de emergência que as Nações Unidas distribuem a centenas de milhares de afegãos devem acabar até o fim do mês. A ajuda externa foi interrompida. As longas filas em agências de banco são diárias.

Na quarta-feira (1°), as principais autoridades do Pentágono expressaram cautela sobre continuar a trabalhar com os líderes do Talibã. O secretário de Defesa americano, Lloyd Austin III, disse que, embora os EUA tenham atuado com o Talibã em um conjunto restrito de prioridades, era, segundo ele, difícil prever se essa cooperação continuaria no futuro.

Outros governos estão trabalhando para traçar uma parceria com o Talibã ou com atores regionais para retirar os civis restantes que desejam sair de Cabul.

O chanceler do Reino Unido, Dominic Raab, esteve ontem em Doha, no Catar, para discutir com autoridades locais a situação no Afeganistão e como garantir uma passagem segura para os que permanecem no país. O Catar já hospedou líderes do Talibã e foi o local das negociações de paz entre a milícia e o governo Trump, no ano passado.

Raab disse que o Reino Unido não reconhecerá o Talibã no futuro próximo, mas também não descartou a possibilidade de manter contatos com o grupo.

– Vemos a necessidade de um envolvimento direto – disse o chanceler britânico.

Ele afirmou ter conversado com líderes do Catar sobre a possibilidade de manter o aeroporto em Cabul como rota para afegãos que correm alto risco e ainda querem fugir.

Segundo o governo britânico, Simon Gass, enviado especial para a transição do Afeganistão, manteve conversações nos últimos dias com representantes políticos do Talibã.

*AE

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