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Países reagem à sobretaxa de até 12,5% anunciada pelos EUA

As tarifas atingem 60 parceiros comerciais, incluindo Brasil, China, União Europeia, Japão e Coreia do Sul

Pleno.News - 24/07/2026 14h47 | atualizado em 24/07/2026 16h32

Donald Trump, presidente dos EUA Foto: EFE/EPA/YURI GRIPAS

Nesta sexta-feira (24), governos de países afetados pela nova sobretaxa de até 12,5% imposta pelos Estados Unidos reagiram à medida, que entrou em vigor à 00h01 no horário de Washington (01h01 em Brasília). As tarifas atingem 60 parceiros comerciais, incluindo Brasil, China, União Europeia, Japão e Coreia do Sul.

Segundo o governo americano, a cobrança foi adotada após uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. As alíquotas variam entre 10% e 12,5%, conforme o país.

O Brasil recebeu uma sobretaxa de 12,5% e informou que vai recorrer à Lei da Reciprocidade e levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo também criticou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para aplicar as novas tarifas.

– Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) – afirmou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em nota.

– Somos signatários de 66 Convenções em vigor na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Enquanto os EUA, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções – acrescentou.

Na União Europeia, a Comissão Europeia avaliou que a medida está de acordo com os compromissos tarifários assumidos pelos EUA e disse esperar que Washington mantenha o acordo firmado entre as partes. Já a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, contestou a justificativa americana.

– Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos EUA, quero dizer, nós temos férias remuneradas, temos ótimas condições de trabalho para nossos funcionários, então não há muita base nisso – afirmou Kaja.

A China voltou a defender sua posição contra medidas unilaterais e afirmou que guerras comerciais não beneficiam nenhuma das partes. O Japão protestou contra a decisão e disse que esperava o cumprimento do acordo anterior firmado com os EUA.

– As guerras tarifárias e as guerras comerciais não servem aos interesses de nenhuma das partes – disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian.

– Nosso entendimento é que ambos os lados continuam comprometidos com esse acordo – disse o secretário-chefe do Gabinete do Japão, Minoru Kihara.

– É lamentável que a medida imponha tarifas sob a justificativa da inexistência de medidas que proíbam a importação de produtos fabricados com trabalho forçado, embora a indústria e o comércio do Japão estejam em conformidade com as regras internacionais – acrescentou.

A Coreia do Sul informou que manterá diálogo com os EUA e estima que a carga tarifária total não ultrapasse 15%. Tailândia, Austrália, Nova Zelândia e Singapura também criticaram a decisão ou defenderam negociações para reduzir os impactos da medida.

– Acreditamos que, entre todos os países do mundo, a Austrália leva a sério a questão da escravidão moderna e continuará a fazê-lo – disse o ministro do Comércio australiano, Don Farrell.

– A investigação dos EUA não forneceu evidências significativas para sustentar alegações relacionadas ao trabalho forçado. Tarifas não são o caminho – elas aumentam custos e incerteza para as empresas – escreveu o primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon.

O México foi incluído na faixa de 10% de sobretaxa. Segundo o secretário de Economia, Marcelo Ebrard, mais de 80% das exportações mexicanas para os Estados Unidos permanecerão isentas da cobrança por causa do acordo comercial entre os dois países e o Canadá.

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