ONG que mais recebeu de Soros tem gestor investigado por desvio
Raul Paulino Torres é alvo de inquérito da Polícia Civil de São Paulo
Paulo Moura - 31/10/2024 11h07 | atualizado em 31/10/2024 12h50

No ano passado, a entidade no Brasil que mais foi beneficiada com recursos oriundos da Open Society Foundations, organização fundada pelo bilionário George Soros, foi o Instituto Incube, que recebeu cerca de 3,1 milhões de dólares (R$ 17,8 milhões na cotação atual) no período. Na presidência dessa entidade está Raul Paulino Torres, que é investigado pela Polícia Civil de São Paulo.
De acordo com a apuração de uma reportagem do site Gazeta do Povo, Torres é alvo da polícia por um desvio de recursos dos cofres de outra organização do terceiro setor. O inquérito foi aberto em janeiro deste ano após denúncia do ISPIS, uma ONG para a qual Raul trabalhou por uma década como contador.
O ISPIS afirma que Torres teria feito pagamentos a si próprio sem respaldo contratual. Os representantes da entidade denunciaram Torres por estelionato, mas a Polícia Civil disse que o caso deveria ser enquadrado como furto.
Entre 2022 e 2023, Raul teria repassado mais de R$ 760 mil da conta da instituição para sua conta pessoal e para a de sua empresa de consultoria. No material apresentado à polícia pelo ISPIS, estão incluídos extratos bancários mostrando as movimentações.
Em resposta à denúncia, Torres alega que houve um acordo para que ele recebesse 5% do valor arrecadado pelo ISPIS, e que ele apenas cumpriu esse combinado ao depositar o dinheiro na própria conta bancária. No entanto, o dirigente do Instituto Incube não compareceu à delegacia para prestar depoimento na data marcada. A defesa dele alegou que não teve tempo de analisar os autos.
POUCA TRANSPARÊNCIA DO INCUBE
Mesmo tendo recebido recursos milionários da Open Society, o Instituto Incube tem pouca transparência com sua atuação. Na internet, por exemplo, a entidade não possui site oficial, perfil nas redes sociais ou relatório anual. Nem mesmo na sede declarada pela ONG à Receita Federal há qualquer identificação do instituto.
Segundo o Gazeta do Povo, que foi ao local declarado oficialmente, o endereço do Incube é um sobrado simples em uma rua pouco movimentada no bairro Vila Romana, na Zona Oeste de São Paulo. Na entrada do prédio, não há referência ao instituto, mas sim uma placa escrita “Torres Consultoria”, empresa que, por sinal, pertence a Raul Torres.
Ou seja, o lugar não lembra em nada a sede de uma organização que recebeu mais de 3,5 milhões de dólares (R$ 20,2 milhões) da Open Society entre 2021 e 2023.
OUTRO LADO
Em nota enviada ao Gazeta do Povo, o Incube disse que “desenvolve programas de pesquisa, produção de conhecimentos e formação” e que é “uma incubadora social que atua com outras organizações da sociedade civil por meio de apoio em processos de gestão”.
Sobre o uso dos recursos que recebe, o instituto afirmou ter arrecadado doações de mais de 30 fontes diferentes e alegou ter aplicado aproximadamente 91% dos seus recursos em “parceria com organizações da sociedade civil”.
Já em relação ao inquérito contra seu presidente, o Incube disse que “foram apresentadas fartas provas da lisura e correção da conduta de Raul Torres, bem como da falsidade das acusações formuladas por representantes do ISPIS”.
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