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‘Não somos leprosos’, diz ministro da Itália a restrições

Países começam a abrir fronteiras na União Europeia, mas criam barreiras para quem vem de locais mais atingidos pelo coronavírus

Pleno.News - 03/06/2020 21h56 | atualizado em 03/06/2020 22h02

Luigi Di Maio Foto: Reprodução

Luigi di Maio, ministro das Relações Exteriores da Itália, em uma conta de rede social. Na publicação, ele exigiu respeito aos cidadãos de seu país.

– Exigimos respeito. Se alguém acha que pode nos tratar como leprosos, saiba que não vamos ficar quietos. Paciência tem limite – desabafou ele.

A irritação é resposta a barreiras crescentes que países vizinhos estão criando para quem chega de locais mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus.

Primeiro país a decretar uma quarentena ampla, no começo de março, a Itália reabriu nesta semana suas fronteiras para viajantes europeus, mas está sendo incluída nas listas vermelhas e laranjas de alguns países, como Áustria, Eslovênia, Suíça, Croácia e República Tcheca.

Até a Espanha, que já esteve entre os países mais afetados, mas vem registrando números baixos de contágio e mortes, afirmou que abrirá “gradualmente” suas fronteiras a turistas europeus “de países com taxas de infecção relativamente baixas”.

Di Maio pediu uma resposta da União Europeia em defesa do espírito europeu.

– Ou a Europa desaba – ameaçou.

A Comissão Europeia (o Poder Executivo da UE), porém, já afirmou que aceita restrições baseadas em “perfis epidemiológicos semelhantes”; condena apenas as baseadas em nacionalidade ou outro tipo de discriminação pessoal.

O bloco vem há semanas se reunindo sobre a reabertura das fronteiras, mas a coordenação ainda não costurada já está sendo atropelada por iniciativas individuais dos países.

A Croácia já abriu suas fronteiras para 10 países europeus, mas não para a Itália, que também ficará de fora, nesta quinta (4), da reabertura da Áustria para oito vizinhos.

Viajantes que quiserem cruzar o território austríaco em direção ao país mediterrâneo ou voltando de lá não poderão parar para abastecer o carro, tomar um lanche nem para ir ao banheiro. A polícia ficará de guarda nos postos de gasolina e promete aplicar multas de até 1.450 euros (cerca de R$ 8.700).

A Suíça excluiu a Itália do acordo com França, Áustria e Alemanha para reabrir fronteiras comuns, e a Eslovênia exige de visitantes italianos teste para Covid-19 negativo ou quarentena obrigatória.

Além de Reino Unido e Itália, vistos com suspeita por terem o maior número de mortes por Covid-19 no continente, a Suécia está sendo excluída por não ter adotado quarentenas rígidas.

Dinamarca e Noruega avisaram que a partir do dia 15 estão abertas para turistas da Escandinávia (e a Dinamarca, também da Alemanha), mas suecos ainda estão proibidos de entrar.

Reino Unido e Suécia estão na lista vermelha da República Tcheca, e quem vier desses países terá que apresentar resultado negativo para coronavírus para ter a entrada permitida.

A Itália é considerada de risco médio pelo governo tcheco, ao lado de Espanha, França, Bélgica e Irlanda: viajantes tchecos podem ir a esses países sem restrições, mas quem vier de lá terá que comprovar que não está infectado.

De 15 de junho a 1º de julho, a Grécia vai testar passageiros que chegarem de países classificados como “de alto risco”. Dependendo do resultado, eles serão isolados por 7 ou 14 dias.

No caso do Reino Unido, além da evolução do coronavírus, um complicador é a quarentena de 14 dias para qualquer pessoa que venha do exterior, que está levando países europeus a devolverem a gentileza.

Holanda e França já anunciaram que britânicos terão que seguir a mesma regra em seus países, e a Alemanha não deve proibir viagens, mas vai recomendar países que devem ser evitados, entre eles o Reino Unido, por causa da quarentena.

Portugal, que tem nos britânicos seus principais turistas estrangeiros, está negociando um corredor entre os dois países, para tentar evitar a necessidade de isolamento por duas semanas.

*Folhapress/ Ana Estela de Sousa Pinto

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