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Mercosul: Argentina e Uruguai expõem divergências

Cúpula do Mercosul participou de encontro em comemoração aos 30 anos do bloco

Pleno.News - 26/03/2021 16h50 | atualizado em 26/03/2021 17h18

Presidente da Argentina, Alberto Fernández, nos 30 anos do Mercosul Foto: EFE/EPA/Esteban Collazo / Presidency of Argentina

O encontro da cúpula do Mercosul, em comemoração aos 30 anos do bloco na manhã desta sexta (26), expôs o desalinhamento dos países membros. Boa parte da discussão foi ignorada pelo presidente Jair Bolsonaro, que deixou a videoconferência após pronunciamento por conflitos de agenda.

A principal rusga se deu entre os presidentes do Uruguai, Luis Lacalle Pou, e da Argentina, Alberto Fernández, que ocupa a presidência rotativa do bloco.

Lacalle Pou fez um discurso duro em que defendeu a flexibilização do bloco e que este não seja um peso para os seus membros. Ele afirmou que o Mercosul não deve e não pode ser um “lastro”, em referência à carga colocada em embarcações para a navegação.

Ao final da videoconferência, Fernández rebateu.

– Se nós tivermos nos convertido em outra coisa, em uma carga, lamento. A verdade é que não queríamos ser uma carga para ninguém – disse.

O presidente argentino disse ainda que, “se a carga é muito pesada, o mais fácil seria descer do barco”.

– Terminemos com essas ideias, num momento em que a unidade tanto nos importa. Não queremos ser um lastro para ninguém, se somos um lastro, que tomem outro barco – disse.

Na reunião, Lacalle Pou também cobrou maior atuação do bloco e a sua flexibilização.

– Vamos propor formalmente discutir a flexibilização. O Uruguai precisa tecnicamente e, sobretudo, politicamente que o Mercosul tome uma decisão a respeito – disse Lacalle Pou.

Assim como Lacalle Pou, a modernização do bloco e a atualização da Tarifa Externa Comum (TEC) também foram defendidas por Bolsonaro, que foi o segundo a falar na videoconferência. O presidente pediu maior integração regional e “redobrar esforços nas negociações externas”.

Bolsonaro também ressaltou que eventuais diferenças políticas entre o bloco não podem influenciar a integração e desenvolvimento econômico dos países.

– Para levar adiante a agenda de modernização do Mercosul, é preciso compromisso e espírito de cooperação entre os membros. Diferenças de perspectivas que existam entre nós, de natureza política ou econômica, não devem afetar o andamento do projeto de integração, desde que respeitados os princípios que balizam o bloco – disse.

O chefe do Executivo também destacou a importância da reunião em abril entre os ministros de países membros do bloco. No encontro, é esperada a discussão da flexibilização das regras do Mercosul e também o debate sobre a Tarifa Externa Comum.

A tarifa foi ainda citada pelo Paraguai, Mario Abdo Benítez, que também pediu que as negociações externas sejam feitas de forma conjunta e coordenada, sem que isso seja uma “barreira” no desenvolvimento dos países do bloco.

No encontro desta sexta-feira, Fernández propôs a criação de observatórios para tratar da qualidade da democracia, da violência de gênero e do meio ambiente. O tema do meio ambiente, em especial, é uma cobrança internacional direcionada ao Brasil, mas não foi mencionada por Bolsonaro em sua fala.

Além dos presidentes dos países membros (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) a videoconferência também teve a participação dos chefes de Estado do Chile e da Bolívia, países associados.

*Estadão

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