Incêndios florestais deixam 16 mortos em duas regiões do Chile
Na comuna de Penco, na região de Biobío, cerca de 30 mil pessoas já foram deslocadas
Pleno.News - 18/01/2026 14h41 | atualizado em 19/01/2026 14h06

Um total de 16 pessoas morreram em consequência de vários incêndios florestais no sul do Chile, nas regiões de Ñuble e Biobío, informou neste domingo (18) o ministro da Segurança Pública, Luis Cordero.
– São pessoas que foram encontradas no local onde ocorreu o incêndio – indicou Cordero, que detalhou que na madrugada “foram emitidos pouco mais de 87-88 alertas SAE (Sistema de Alerta de Emergência)” aos moradores do local.
Uma das zonas mais afetadas pelos incêndios, que começaram neste sábado (17) e até agora obrigaram o deslocamento de 30 mil pessoas, é a comuna de Penco, na região de Biobío, a cerca de 500 quilômetros ao sul da capital.
O presidente Gabriel Boric declarou, neste domingo, estado de catástrofe nas zonas afetadas e, de acordo com ministro do Interior, Álvaro Elizalde, também viajará até o local para “tomar conhecimento direto da situação para efeitos de reforçar as medidas que, até o momento, foram adotadas”. O mandatário também suspendeu sua agenda prevista para esta segunda-feira (19).
O presidente eleito, José Antonio Kast, assinalou, em uma mensagem na rede social X, que “neste momento crítico da emergência não há espaço para a política”.
– Hoje o foco deve ser combater os incêndios, ir em auxílio das pessoas afetadas e apoiar as autoridades para enfrentar esta emergência – acrescentou Kast, que assumirá em março e nesta semana anunciará seu gabinete.
Por sua vez, Sergio Giacaman, governador da região de Biobío, onde morreram 15 das vítimas, disse que “é uma catástrofe tão grave quanto a vivida em 2010 com o terremoto”, uma das maiores tragédias vividas pelo Chile e que devastou o sul do país.
O diretor regional da Corporação Nacional Florestal (Conaf) em Biobío, Esteban Krause, confirmou, em entrevista a um veículo local, que o incêndio florestal que atinge o setor de Penco registra, preliminarmente, cerca de 5 mil hectares queimados. Em Ñuble, o último relatório enviado pela Conaf registra um total de nove incêndios, que consumiram mais de 4 mil hectares.
Desde a noite deste sábado (17), as condições climáticas têm sido adversas para o combate às chamas. Além das altas temperaturas, o fenômeno conhecido como “vento Puelche” — um vento seco e quente que sopra da cordilheira dos Andes em direção aos vales e à costa — complicou as tarefas de extinção por provocar um aumento da temperatura e uma queda da umidade.
– São condições bem adversas as que temos enfrentado – lamentou neste domingo a diretora do Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred), Alicia Cebrián.
Devido à sua abrupta topografia, seus extensos bosques e seu clima, o Chile sempre registrou incêndios, mas sua frequência e intensidade aumentaram a partir de 2010. A crise climática, a megasseca que dura mais de uma década e a expansão da chamada “interface urbano-rural” (zonas onde se misturam vegetação, combustível e edificações) contribuíram para isso, de acordo com especialistas.
O grande ponto de inflexão foi marcado pelos incêndios de 2017, que consumiram quase 600 mil hectares na zona centro-sul, nas regiões de O’Higgins, Maule e Biobío, e obrigaram a modificar a escala com que se mediam os sinistros. No entanto, a maior tragédia relacionada ao fogo no Chile ocorreu em fevereiro de 2024 na região de Valparaíso, quando as chamas causaram a morte de 136 pessoas.
*EFE
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