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Guerra na Ucrânia completa 100 dias e não tem fim à vista

Rússia controla 20% do território ucraniano, segundo o presidente Zelensky

Thamirys Andrade - 03/06/2022 09h55 | atualizado em 03/06/2022 10h25

Após 100 dias, a guerra entre Rússia e Ucrânia parece não ter fim à vista, causando devastação crescente e custos globais prolongados. O maior conflito entre estados europeus desde a Segunda Guerra Mundial passou por mudanças típicas da imprevisibilidade da guerra. O fracasso do assalto inicial da Rússia alimentou a confiança ucraniana, que está diminuindo à medida que Moscou concentra seu poder bélico em um avanço mais estreito e esmagador.

Nesta sexta-feira (3), as forças russas avançaram atrás de barragens de artilharia pesada na região de Donbass, no leste da Ucrânia. A Rússia tem ganhado terreno lenta mas constantemente, enviando dezenas de milhares de civis fugindo para o oeste.

Muitos governos ocidentais temem um impasse destrutivo, com o presidente russo Vladimir Putin e os defensores da Ucrânia travados em uma luta que é vista como existencial por ambos.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse nesta quinta (2), que a Rússia agora controla 20% do território de seu país. O problema para Kiev – e para os governos da Europa Ocidental que propõem um cessar-fogo – é que a Rússia conquistou grande parte das áreas industriais do leste da Ucrânia e vastas extensões de suas terras agrícolas férteis, enquanto bloqueava o acesso da Ucrânia ao mar, necessário para exportações.

Isso ameaça deixar a Ucrânia como um Estado praticamente inviável que sobrevive de doações ocidentais. A Ucrânia precisa de cerca de 5 bilhões de dólares por mês para cobrir serviços governamentais essenciais e manter sua economia em funcionamento, segundo autoridades do país, além de ajuda humanitária e armamentos.

A Rússia, enquanto isso, enfrenta uma profunda recessão este ano devido às sanções ocidentais e uma erosão de longo prazo de seu potencial econômico. Na ausência de um colapso inesperado de um lado, se aproxima uma guerra de desgaste que pode devorar constantemente os recursos de ambos os países.

As apostas são muito altas para que a Ucrânia ou a Rússia recuem. A guerra também ameaça dois pilares da ordem global, há tempo muito aceitos: o princípio de que um território não pode ser anexado à força e que os mares estão livres para os navios de todas as nações.

A guerra tornou o mundo mais pobre. Ao aumentar os preços dos alimentos e da energia, complicou a conturbada recuperação global da pandemia de Covid-19. A ruptura das relações de fornecimento de energia e alimentos há muito estabelecidas deixa grande parte do mundo enfrentando uma adaptação econômica prolongada e dispendiosa.

– A era da energia barata por combustíveis fósseis acabou – disse recentemente o ministro da Economia alemão, Robert Habeck.

O expansionismo da Rússia aproximou politicamente o mundo desenvolvido. Mas também expôs lacunas de interesses e perspectivas entre o Ocidente e o Sul global mais pobre, que permaneceu amplamente neutro, e onde a narrativa russa de queixas antiocidentais – ecoada pela China – tem muitos simpatizantes.

Sem uma vitória definitiva ucraniana à vista, o governo Biden começou a enfatizar que seu objetivo é aumentar a influência de Kiev para possíveis negociações com Moscou.

– A maioria dessas coisas termina de alguma forma diplomaticamente. Infelizmente, os sinais que estamos vendo agora não sugerem que a Rússia esteja preparada para se envolver de maneira significativa na diplomacia – disse o secretário de Estado dos EUA Antony Blinken nesta quarta (1).

*AE

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