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Ex-general diz poder provar que Venezuela financiou Lula

Preso, Hugo Carvajal denunciou suposto esquema de financiamento ilegal de partidos de esquerda de vários países

Thamirys Andrade - 06/12/2021 17h42 | atualizado em 06/12/2021 20h44

hugo carvajal e lula
Hugo Carvajal foi chefe do Serviço Secreto da Venezuela por 14 anos Foto: Reprodução / Youtube | EFE/Luca Piergiovanni

Ex-general da Venezuela e chefe do Serviço Secreto do país por 14 anos, Hugo Carvajal falou diretamente da prisão com à Record TV sobre a denúncia que fez sobre um suposto esquema de financiamento venezuelano que mandaria dinheiro para políticos e governos de esquerda do mundo todo, incluindo o ex-presidente Lula (PT), no Brasil.

Também conhecido com El Pollo, Carvajal é considerado por especialistas como “peça-chave” e “arquivo vivo” que poderia colocar em xeque governos e figuras políticas proeminentes. O ex-general era homem de confiança do ex-presidente Hugo Chávez, mas teve de buscar exílio na Espanha após conflitos com o atual líder venezuelano, Nicolás Maduro.

– Ele é uma peça-chave nesse regime bolivariano, cujo o objetivo era expandir para o resto dos países da América Latina ou mesmo para a Europa. Ele tinha ligação com serviços de inteligência de muitos países e também com assuntos ligados ao narcotráfico e terrorismo – afirma o jornalista venezuelano Miguel Ángel Pérez.

Atualmente preso na penitenciária de segurança máxima espanhola Estremera, Carvajal afirma que pretende colaborar com as autoridades e divulgar informações sigilosas, pois não deseja mais viver como exilado.

Em depoimento na Corte da Audiência Nacional, uma alta instância judicial da Espanha, ele relatou como foram os anos como chefe do serviço secreto e como funcionava o suposto esquema de distribuição de dinheiro para países e políticos alinhados ao regime de Chávez e Maduro.

El Pollo afirma que a Venezuela mandou dinheiro ilegalmente para a maioria dos países da América do Sul, para a Espanha e para a Itália por 15 anos. Ele apontou ainda os nomes dos beneficiados pelo suposto esquema. Seriam eles: Lula da Silva, no Brasil; Néstor Kirchner, na Argentina; Evo Morales, na Bolívia; Fernando Lugo, no Paraguai; Zelaya, em Honduras; Gustavo Petro, na Colômbia; Movimiento Cinco Estrellas, na Itália; e Podemos, na Espanha.

Em entrevista à Record TV, Carvajal afirmou ter como provar suas denúncias.

– Decidi testemunhar para ajudar meu país. Sim, posso provar tudo o que denunciei – assinalou.

De acordo com ele, “tanto o Brasil quanto a Colômbia são prioridades do governo venezuelano”. Hugo afirma ainda que o “esquema no Brasil é parecido com o da Espanha para a Itália”, mas que não iria comentar sobre como foi feito.

O OUTRO LADO
Contatados pela Record TV, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores se recusaram a dar entrevista, mas emitiram notas oficiais sobre o assunto. A assessoria do petista afirma que a acusação não tem base e consiste em mentiras.

– O ex-presidente Lula foi investigado por anos. Teve todos os seus sigilos quebrados e analisados por investigadores. E nenhum recurso irregular foi encontrado em suas contas. O que inclui esse tipo de acusação mentirosa, sem base alguma. O ex-presidente Lula venceu na Justiça todas as acusações mentirosas feitas contra ele. Não tem nenhuma condenação e está com plenos direitos políticos – declarou a equipe do ex-presidente.

Já o PT, informou que acionou judicialmente a Record “para que a emissora seja responsabilizada pelas acusações sem provas e caluniosas que vem difundindo contra o partido e seus dirigentes”.

EXTRADIÇÃO
Atualmente, El Pollo aguarda decisão da Espanha sobre sua extradição para os Estados Unidos. Ele foi preso em setembro deste ano, em operação conjunta entre agentes americanos e espanhóis. Se confirmada sua extradição, ele irá responder por por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em solo norte-americano, podendo pegar prisão perpétua.

Carvajal é acusado de narcotráfico e está na lista de procurados da agência antinarcótico dos EUA. Ele é apontado como integrante do Cartel de Los Soles, organização que seria formada por grupos das forças armadas da Venezuela envolvidas em práticas criminosas e que facilitaria a entrada e saída de drogas do país. Hugo nega a existência do Cartel, e sua advogada, Maria Gonzales, a classifica como “invenção jornalística”.

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