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Fúria de militantes pró-aborto explode ante o Supremo dos EUA

Mais alta Corte do país cogita revogar a legalização da interrupção de gestações

Pleno.News - 04/05/2022 10h16 | atualizado em 04/05/2022 15h57

Protestos em frente à Suprema Corte nos EUA Foto: EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDS

A fúria de centenas de jovens americanos pela possível revogação da proteção legal ao aborto explodiu nesta terça-feira (3) em frente à Suprema Corte dos Estados Unidos. Um grupo crescente de manifestantes se reuniu ao longo do dia para protestar contra o que consideram um “retrocesso nos direitos”.

“Se eu quisesse o governo na minha vagina, eu dormiria com um senador”, “Meu corpo, minha decisão” e “Aborto é saúde” eram algumas das mensagens que podiam ser lidas nas dezenas de faixas que eram desdobradas em frente aos degraus do tribunal.

Embora no início do dia a manifestação estivesse claramente dividida entre os favoráveis ao aborto e os que se opunham, cada grupo localizado em um dos dois lados da grande escadaria, o número de manifestantes a favor da interrupção a gravidez terminou por superar aqueles que buscam revogá-lo e passou a dominar o outro lado da escada também.

– Tomamos a decisão de vir ontem à noite. A única razão pela qual não viemos mais cedo é porque ontem havia um grande grupo antiaborto, mas as associações a favor pediram hoje para virmos das oito às oito. A ideia é estar ali o dia todo – disse à Agência Efe Manuela Tironi, uma das jovens presentes no protesto.

Ao longo da manhã, porém, os grupos pareciam bastante equilibrados: do lado esquerdo, dezenas de pessoas de diferentes idades carregavam faixas em favor da comunidade trans e dos direitos LGBTQIA+; e, à direita, um grupo um pouco menor, mas mais barulhento, com vários jovens que também carregavam bandeiras LGBT e clamavam por “direitos para todas as pessoas, nascidas e não nascidas”.

Protestos em frente à Suprema Corte nos EUA Foto: EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDS

DEMOCRATAS CONTRA O ABORTO
Esses últimos eram membros dos Democratas pela Vida na América. Como é o caso de Caroline, que declarou que é preciso mudar as leis para mudar a cultura, razão pela qual elogiou a minuta vazada que aponta para uma decisão do Supremo que revogaria a proteção legal ao aborto, inclusive no famoso julgamento Roe vs. Wade de 1973.

A minuta, que foi divulgada pelo portal Politico, foi confirmada pelo tribunal nesta terça.

No entanto, a mais alta corte dos EUA esclareceu que esta não é uma decisão final e solicitou uma investigação para esclarecer como o documento foi parar nas mãos do Politico.

Para Sarah, uma manifestante pró-aborto, a razão pela qual o direito de interromper uma gravidez está em perigo é porque nos EUA não há uma verdadeira separação entre Igreja e Estado, já que as crenças religiosas têm enorme influência nas decisões da Justiça.

Essa ideia foi uma das mais repetidas nos discursos e palavras de ordem dos manifestantes, que exigiram do Congresso de seu país a codificação legal da lei para não depender da jurisprudência.

A ideia também foi defendida pela senadora Elizabeth Warren, candidata às primárias democratas em 2020, em um discurso pela manhã diante dos manifestantes.

Visivelmente emocionada, Warren lamentou que aquelas que mais sofrerão com as consequências da decisão do tribunal, se finalmente acontecer, serão as mulheres pobres que não poderão “pagar uma passagem de avião para os estados onde o aborto é permitido”.

O cenário mudou muito ao longo da tarde, quando muitos jovens pró-aborto deixaram suas aulas na universidade e puderam se juntar ao protesto.

Algumas cenas tensas começaram a ser vividas quando várias meninas começaram a insultar e cobrir com seus cartazes uma idosa antiaborto, que subia correndo os degraus gritando: “Não matem as crianças”.

Também houve discussões acaloradas, mas civilizadas, entre defensores do direito ao aborto e opositores.

*EFE

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