Fraternidade São Pio X recorre contra excomunhão do Vaticano
Os "lefebvrianos", como são conhecidos, apresentaram um recurso contra o decreto
Pleno.News - 14/07/2026 09h34 | atualizado em 14/07/2026 10h46

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, conhecida como os “lefebvrianos”, informou que apresentou um recurso contra o decreto de excomunhão do Vaticano contra os membros desta congregação ultraconservadora pelo ato cismático do último dia 1º de julho, de ordenar bispos sem a autorização do papa.
Com esse recurso, a fraternidade pede para suspender a execução do decreto e, dessa maneira, “exercer o direito que a Igreja reconhece a toda pessoa que se considere prejudicada por um ato administrativo de solicitar sua retificação, com espírito de respeito à autoridade eclesiástica e de fiel apego à justiça, à verdade e ao bem da Igreja”, segundo informa em um comunicado publicado em seu site.
– A Fraternidade Sacerdotal São Pio X coloca esta petição nas mãos das autoridades competentes e confia este processo às orações de todos os fiéis – acrescenta a nota.
O Dicastério (ministério do Vaticano) para a Doutrina da Fé confirmou em 2 de julho a excomunhão dos quatro novos bispos da congregação ultraconservadora (Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier), ordenados em Écône (Suíça) sem permissão do papa Leão XIV.
Também foram excomungados o consagrante principal, Alfonso de Galarreta, e o bispo Bernard Fellay, por participarem de uma consagração episcopal sem mandato pontifício e aderirem publicamente ao ato considerado cismático, e o órgão advertiu que também seriam excomungados todos aqueles fiéis que participassem dos atos deste grupo.
O superior-geral da Fraternidade, Davide Pagliarani, havia tachado de “injustas e inválidas” as excomunhões decretadas pela Santa Sé.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada oficialmente em 1970 em Friburgo (Suíça) pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e nasceu como reação às reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), que consideravam uma ruptura com a tradição doutrinária e litúrgica da Igreja.
João Paulo II já excomungou seu fundador e os quatro bispos que ordenou em 1988 sem sua aprovação, enquanto Bento XIV, em 2009, retirou a excomunhão.
Apesar disso, nos anos seguintes, o grupo manteve o confronto com a Igreja, que se intensificou durante o pontificado de Francisco, após a imposição de severas restrições à celebração da missa tridentina, ou missa em latim, como é mais conhecida, por meio do documento Traditionis custodes. A medida desagradou aos tradicionalistas e, em particular, aos lefebvrianos.
Esta congregação conta globalmente com 733 sacerdotes, 250 freiras, 145 religiosos e 264 seminaristas. No total, a fraternidade supera os 1,5 mil membros consagrados e cerca de 500 mil fiéis, e tem presença em mais de 60 países.
*EFE
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