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França veta pedido de médico para uso da hidroxicloroquina

"Os dados disponíveis até agora são muito heterogêneos e irregulares", alegou ANSM, em comunicado

Pleno.News - 23/10/2020 14h55 | atualizado em 23/10/2020 18h15

França veta novo pedido de médico para uso da hidroxicloroquina contra Covid Foto: Reprodução

A agência francesa de medicamentos anunciou nesta sexta-feira (23) que rejeitou um novo pedido do médico Didier Raoult em relação ao uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Raoult é um dos grandes incentivadores do medicamento.

– Os dados disponíveis até agora, que são muito heterogêneos e irregulares, não nos permitem prever um benefício da hidroxicloroquina isoladamente ou em associação para o tratamento ou prevenção da Covid-19 – disse a Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos e Produtos de Saúde da França (ANSM), em comunicado.

Além disso, o órgão observou que administrar este princípio ativo, que é comercializado na França pelo grupo Sanofi com o nome Plaquénil, aumenta os riscos, “especialmente os riscos cardiovasculares”.

Isso explica porque a agência não pode responder favoravelmente ao pedido para obter o que é tecnicamente chamado de Recomendação Temporária para Uso (RTU).

A ANSM insistiu que sua posição está de acordo “com a grande maioria das recomendações terapêuticas internacionais”. Por outro lado, informou que a medida pode ser revista a qualquer momento “se houver novos resultados de estudos clínicos” que modificariam os conhecimentos atuais.

Raoult, que dirige um dos maiores centros de pesquisa epidemiológica da França, o Institut Hospitalo-Universitaire, em Marselha, fez este novo pedido no início de agosto.

Desde a primeira onda do coronavírus na França, ele ficou conhecido pela defesa da hidroxicloroquina como tratamento para alguns casos de Covid-19, algo que o colocou em rota de colisão com o ministro da Saúde, Olivier Véran.

No final de maio, a pasta já havia proibido explicitamente a prescrição deste medicamento (geralmente indicado para a malária) para pacientes com coronavírus.

No Twitter, Raoult respondeu ao anúncio da ANSM ressaltando que o diretor da agência, Dominique Martin, embora tenha rejeitado o pedido, autorizou “o envio de e-mails promocionais da (empresa farmacêutica) Gilead para o fármaco remdesivir e organizar a distribuição gratuita”.

– Dois pesos, duas medidas – afirmou Raoult.

O médico referiu-se ao remdesivir, outro fármaco que também foi estudado para que fosse analisado se é eficaz contra a Covid-19 e que na quinta-feira (22) recebeu aprovação da agência de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos (FDA) como o primeiro remédio para a doença no país.

*Com informações da Agência EFE

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