Flórida investiga ChatGPT por possível ligação com ataque
Um criminoso consultou a inteligência artificial para planejar o ataque que matou duas e feriu seis pessoas
Pleno.News - 22/04/2026 17h38 | atualizado em 22/04/2026 18h19

Nesta semana, após completar um ano do ataque a tiros na Universidade Estadual da Flórida, o procurador-geral do estado, James Uthmeier, abriu uma investigação criminal para apurar se a empresa OpenAI pode ter responsabilidade no caso. A suspeita é de que o ChatGPT tenha ajudado o acusado a planejar o crime.
A investigação busca esclarecer se o chatbot da empresa teria fornecido orientações ao suspeito Phoenix Ikner antes do atentado ocorrido no campus da universidade.
– Se esse bot fosse uma pessoa, seria acusado de participação em homicídio qualificado – disse Uthmeier em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (21).
– O ChatGPT ofereceu conselhos importantes ao atirador antes que ele cometesse crimes tão hediondos – completou.
Ikner é acusado de matar duas pessoas e ferir outras seis durante o ataque ocorrido em 17 de abril de 2025. Ele se declarou inocente. O julgamento está previsto para começar em outubro.
Segundo o procurador-geral, o suspeito teria enviado várias perguntas ao ChatGPT antes do crime. De acordo com Uthmeier, o chatbot teria indicado tipos de armas e munições, além de sugerir horários e locais do campus onde haveria maior concentração de pessoas.
A investigação também busca analisar as políticas internas da OpenAI. A empresa foi intimada a fornecer documentos sobre regras relacionadas a ameaças contra terceiros, automutilação e procedimentos de denúncia de possíveis crimes.
– Vamos analisar quem sabia o quê, quem planejou o quê ou quem deveria saber o quê, e se ficou claro que os indivíduos sabiam que esse tipo de comportamento perigoso poderia ocorrer – disse Uthmeier.
A OpenAI afirmou, em comunicado enviado à imprensa, que a empresa não tem responsabilidade pelo crime.
– O tiroteio foi uma tragédia, mas o ChatGPT não é responsável por esse crime terrível.
Segundo a empresa, após o ataque, a conta que supostamente pertence ao acusado foi compartilhada com as autoridades policiais.
– Neste caso, o ChatGPT forneceu respostas factuais às perguntas com informações que podiam ser encontradas em diversas fontes públicas na internet, e não incentivou nem promoveu atividades ilegais ou prejudiciais – disse o porta-voz.
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