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Descoberto o manuscrito mais antigo sobre a infância de Jesus

O documento seria uma cópia do Evangelho de Tomé

Leiliane Lopes - 14/06/2024 21h24 | atualizado em 17/06/2024 19h05

Manuscrito estava no acervo da Universidade de Hamburgo Foto: Universitätsbibliothek Hamburgo

Um grupo de pesquisadores, incluindo o brasileiro Gabriel Nocchi Macedo, descobriu o manuscrito mais antigo que trata da infância de Jesus. O escrito está em grego, é datado de mais de um milênio e meio atrás, e estava há muito tempo despercebido na biblioteca da Universidade de Hamburgo, na Alemanha.

O professor Gabriel Nocchi Macedo e papirologistas do Instituto de Cristianismo e Antiguidade publicaram suas descobertas na revista Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik, mostrando que trata-se de uma cópia do Evangelho de Tomé, considerado um evangelho apócrigo que não consta no cânon da Bíblia.

O documento relata um milagre atribuído a Jesus Cristo quando criança. Segundo o texto, Jesus teria moldado 12 pardais de barro enquanto estava perto de um lago. Ele tinha apenas 5 anos de idade na ocasião e, ao bater palmas, fez com que os pássaros de barro se tornasse vivos.

O fragmento contém cerca de 13 linhas e, de acordo com os pesquisadores, parece ter sido criado como um exercício de escrita em uma escola ou mosteiro, devido à caligrafia desajeitada e aos traços irregulares.

A descoberta é importante para a arqueologia por ser um manuscrito que remonta aos primórdios do Cristianismo. Até então, a versão grega mais antiga conhecida do Evangelho de Tomé era de um códice do século 11, provavelmente escrito no século 2 d.C.

O pesquisador brasileiro Gabriel Nocchi Macedo, que também é professor da Universidade de Liège, na Bélgica, foi fundamental para identificar e reconhecer a importância do texto. Ele explicou que o documento, embora pequeno e não muito atraente, pode fornecer informações valiosas sobre o passado.

– Registros assim podem trazer muita informação e contribuir com nosso conhecimento do passado. Todas as fontes, mesmo que “menores” e “feias”, podem ser importantes – afirmou Macedo.

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