Corredor brasileiro ganha fama após ato de generosidade nos EUA
Além dos treinos, Robson Oliveira trabalha e cuida da família; esposa e uma das filhas são deficientes auditivas
Kleber Pizão - 22/04/2026 15h45 | atualizado em 22/04/2026 17h11

O atleta amador Robson Oliveira, de 36 anos, ganhou destaque na imprensa mundial após um gesto de solidariedade na Maratona de Boston, nos Estados Unidos. O operador de máquinas em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, abriu mão de seu recorde pessoal para ajudar um competidor norte-americano a completar a prova no último domingo (20).
Ao lado do britânico Aaron Beggs, Robson carregou o engenheiro Ajay Haridasse durante a reta final do percurso. Os três atletas cruzaram a linha de chegada juntos, atraindo aplausos do público presente e grande atenção da mídia internacional.
Pelo ato de generosidade, os corredores que prestaram socorro foram chamados de heróis e superstars. A atitude ganhou as capas de jornais globais logo após o encerramento da tradicional competição de atletismo.
O corredor explicou que foi fundamental a iniciativa do competidor britânico no resgate ao estadunidense.
— O Ajay estava em colapso e não conseguia ficar em pé. A única maneira de ele completar era se rastejar ou rolar até a linha de chegada. Faltavam apenas 200 a 300 metros, acho. Graças a Deus o colega inglês parou e eu não tive dúvidas em também ajudar. Porque nenhum de nós ia conseguir fazer nada sozinho — revelou.
Em entrevista ao G1, Robson contou que já havia tomado a mesma atitude em outra prova no Rio e explicou de onde vem a motivação.
— Isso não tem nada a ver com herói. É força de Deus e Jesus. Toda honra e toda glória deve ser para Ele — declarou.
Robson Oliveira corre maratonas desde 2019. Ele participava da décima prova desta categoria, a segunda em Boston, considerada a maior do mundo entre os amadores e que requer índices conquistados em outras competições.
O atleta diz que a rotina é complexa e que trabalha em diferentes turnos.
— Eu treino quando dá. Quando trabalho de dia, treino antes do trabalho. Acordo 4 horas da manhã. Quando estou à tarde, treino quando as crianças estão na escola e às 16h entro no trabalho. E, na madrugada, só treino se o corpo permitir, às vezes às 8h da manhã ou à tarde, depois de dormir um pouco — explicou o corredor, que precisa cuidar da esposa, deficiente auditiva, e de três filhos. Um deles também não ouve.
Robson ficou surpreso com a onda de carinho que recebeu após a atitude e disse que está se esforçando para responder às mensagens em diferentes idiomas.
— Nunca recebi tanta mensagem. Estou usando o Google Tradutor para responder a algumas. Mas vou demorar dias para conseguir falar com todo mundo. Eu não esperava. Se Deus permitir, quero estar lá ano que vem de novo — finalizou.
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