Coreia do Sul aprova lei que veta comércio de carne de cachorro
Medida considerada histórica, porém, só entrará em vigor após um período de carência de três anos
Pleno.News - 09/01/2024 13h58 | atualizado em 09/01/2024 15h39

A Assembleia Nacional da Coreia do Sul aprovou, nesta terça-feira (9), a proibição de criação, abate, distribuição e venda de carne de cachorro para consumo humano. Essa é uma vitória histórica para os defensores dos direitos dos animais após décadas de luta no país asiático.
A lei, proposta pelo Partido do Poder Popular (PPP), pactuada com as demais legendas e promovida pela primeira-dama sul-coreana, Kim Keon-hee, foi aprovada com placar de 208 votos a favor e duas abstenções.
A norma entrará em vigor após uma carência de três anos e, a partir de 2027, os infratores poderão enfrentar até dois anos de prisão ou multas de até 30 milhões de wons (mais de R$ 111 mil).
A lei estipula que o Estado fornecerá subsídios para ajudar as pessoas envolvidas no setor de carne de cachorro a migrarem para outras atividades econômicas.
De acordo com o governo sul-coreano, ainda há cerca de 1.150 fazendas que criam cães para consumo humano, 34 abatedouros, 219 distribuidores e cerca de 1.600 restaurantes que incluem pratos à base de carne de cachorro em seus cardápios.
O consumo tradicional de carne de cachorro na Coreia do Sul caiu drasticamente nas últimas décadas, pois o número de famílias com animais de estimação aumentou.
Pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a grande maioria dos sul-coreanos nunca comeu carne de cachorro e não tem intenção de fazê-lo e que a maioria dos grandes mercados que costumavam fornecê-la já fechou. O governo e várias associações conseguiram fechar muitas fazendas e abatedouros e ajudar seus proprietários a mudarem de ramo na última década.
A divisão sul-coreana da ONG Humane Society International (HSI), que ajudou a elaborar a legislação proposta, comemorou a aprovação parlamentar e a chamou de “histórica” em um comunicado. A diretora executiva da HSI Coreia, Chae Jung-ah, disse que a medida marca “um ponto de inflexão” na sociedade sul-coreana.
Ao proibir a venda de carne de cachorro, a Coreia do Sul se junta a outros países e territórios da Ásia que adotaram medidas semelhantes, incluindo Hong Kong, Taiwan, Filipinas, Índia, Tailândia, Singapura, várias cidades da China e províncias do Camboja e da Indonésia.
*EFE
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