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Pleno.News - 07/04/2021 11h59 | atualizado em 07/04/2021 13h12

Vacina da farmacêutica chinesa Sinovac EFE/ Ricardo Maldonado/Archivo

De acordo com o Ministério da Saúde, graças às vacinas chinesas, a Turquia montou uma das campanhas de vacinação contra o Coronavírus mais rápidas do mundo, administrando pelo menos uma dose a quase 18 milhões de pessoas, mais de um quinto de sua população. Mas a campanha de vacinação tem tropeçado recentemente, depois que médicos e autoridades turcas disseram enfrentar atrasos nos carregamentos da empresa farmacêutica chinesa Sinovac.

Na semana passada, partes da robusta rede de vacinação da Turquia praticamente pararam quando hospitais e clínicas foram forçados a recusar pacientes, de acordo com Sebnem Korur Fincanci, presidente da Associação Médica turca. Não foi a primeira vez que pacientes foram recusados recentemente por causa da falta de doses.

A frustrante luta da Turquia para obter doses de vacina é a mais recente ilustração da influência da China sobre o destino das nações que lutam contra a pandemia.

A exportação de milhões de doses de vacina da China foi favorável a dezenas de países em desenvolvimento que têm dificuldade em obter vacinas ocidentais e ajudou a projetar o domínio de Pequim por meio da “diplomacia da vacina”.

O Egito recebeu apenas uma pequena porcentagem de sua encomenda de vacinas da China, de acordo com declarações de funcionários do governo egípcio.

O Chile, por outro lado, recebeu milhões de doses chinesas, o que o tornou um líder mundial em vacinação.

A Turquia diz que só quer o que foi prometido.

O governo do presidente turco Recep Tayyip Erdogan encomendou 20 milhões de doses da vacina chinesa Sinovac no fim do ano passado, apostando alto no que era então uma droga experimental, antes de aumentar o pedido para 100 milhões de doses. Mas os atrasos nos embarques dos imunizantes chineses forçaram o governo turco a revisar várias vezes o seu cronograma de vacinação, em um momento em que as infecções atingiram níveis recordes por lá.

Durante uma visita feita à Turquia no mês passado pelo ministro das Relações Exteriores da China, o presidente turco, Erdogan, deu o passo incomum de ir a público com as frustrações de seu governo. Ele repreendeu Pequim, um parceiro comercial importante, por não entregar nem mesmo a primeira remessa, de 50 milhões de doses, que “deveriam ter chegado até o final de fevereiro”.

– Isso não é suficiente! Temos um acordo de 100 milhões de doses entre nós – disse Erdogan aos repórteres, relembrando sua conversa com Wang Yi, o ministro das Relações Exteriores.

Um porta-voz da Sinovac não respondeu a um pedido de comentários sobre o atraso dos embarques para a Turquia. Esta manteve um equilíbrio delicado com a China nos últimos anos, diminuindo suas críticas à repressão de Pequim aos uigures muçulmanos, enquanto Ancara busca investimentos chineses para sua economia prejudicada – e, mais recentemente, vacinas.

Uma autoridade turca disse que a escassez ainda não afetou as relações entre os dois países. Mas, “se a China fizer promessas exageradas, no futuro eles podem ser mais cautelosos”, acrescentou o funcionário, que falou sob condição de anonimato para discutir relações diplomáticas delicadas.

Na distribuição de vacinas no exterior, a China está apenas ligeiramente atrás da Índia, que, no mês passado, anunciou que estava proibindo temporariamente as exportações em meio a críticas políticas às dificuldades de vacinação em casa.

Embora não haja uma lista definitiva, o Atlantic Council, citando relatórios do governo, disse no final do mês passado que a China havia enviado 60% de sua produção de vacinas Sinovac e Sinopharm como ajuda a 53 países e pagou exportações para 27.

O Chile, por exemplo, conseguiu realizar sua campanha de vacinação bem-sucedida em parte como resultado da aquisição antecipada da vacina Sinopharm da China. Nas últimas semanas, a China também forneceu centenas de milhares de doses de vacinas ao Irã e à Autoridade Palestina.

A abordagem da China contrasta com a dos Estados Unidos, pois o governo Biden disse que a primeira prioridade é vacinar os americanos. Sua única exportação foi um “empréstimo” prometido da vacina da AstraZeneca armazenada (2,5 milhões de doses para o México e 1,5 milhão para o Canadá), a qual a Food and Drug Administration ainda não aprovou para uso nos EUA.

Tem havido muito mais consternação com a escassez de vacinas do que com o agravamento da pandemia. Os médicos temem que um sistema de saúde turco bem preparado para vacinações em massa permaneça mal utilizado.

A Turquia tem capacidade de vacinar um milhão de pessoas por dia. Mas somos dependentes dos países que produzem as vacinas – lamentou Korur Fincanci, presidente da Associação Médica turca.

*Estadão

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