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Carne mais cara leva argentinos a comerem carne de burro

A alta está ligada ao aumento do boi gordo no mercado internacional.

Pleno.News - 20/04/2026 18h58 | atualizado em 20/04/2026 19h33

(Imagem ilustrativa) Foto: Freepik

O aumento do preço da carne bovina levou consumidores da Argentina a buscar alternativas mais baratas nos últimos meses. Diante da inflação do alimento, produtores passaram a incentivar o consumo de carne de burro, vendida por valor menor em várias regiões do país.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que o quilo da carne moída comum na região da Grande Buenos Aires chegou a 10.324,46 pesos (cerca de R$ 38,00) em março. O valor representa alta de 8,4% no mês e de 63,2% no período de 12 meses.

O preço elevado também aparece em outras áreas do país. Na Patagônia, o quilo alcança 12.528,33 pesos (R$ 46,00). Já nas regiões Nordeste e Noroeste, os valores ficam em 11.908,60 pesos (cerca de R$ 44,00) e 10.415,17 pesos (aproximadamente R$ 38,5o), respectivamente.

A alta está ligada ao aumento do boi gordo no mercado internacional. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a arroba subiu 26,5% no ano e chegou a 73,58 dólares (R$ 375,26), superando o recorde anterior registrado em abril de 2022.

Com a mudança no cenário, produtores passaram a oferecer carne de burro como alternativa. O pecuarista Julio Cittadini afirma vender cortes semelhantes aos bovinos por cerca de 7.500 pesos (aproximadamente R$ 27,70) o quilo.

A alternativa tem avançado principalmente em regiões com limitações para criação de gado tradicional. Segundo Cittadini, animais mais resistentes se adaptam melhor a áreas como a Patagônia, o que favorece esse tipo de produção.

O Ministério da Produção argentino também apoiou a iniciativa e informou que irá reforçar o controle sanitário. De acordo com o produtor, a procura pelo produto superou as expectativas.

Mesmo com a mudança de hábitos, o consumo de carne segue alto no país. Dados do Instituto de Promoção da Carne Bovina na Argentina (IPCVA) indicam média de 50 quilos por habitante em 2025. O número, porém, é menor que os cerca de 100 quilos anuais registrados no fim dos anos 1950.

 

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