Brics: Mauro Vieira contesta que bloco seja contrário ao Ocidente
Chanceler chamou tal ideia de "absurdo do estereótipo"
Pleno.News - 04/07/2025 10h18 | atualizado em 04/07/2025 11h01

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, contestou o “absurdo do estereótipo” que o Brics seja um bloco considerado contrário ao Ocidente. A análise do diplomata está na última edição da revista Cebri, publicada esta semana. Para ele, este tipo de avaliação é derivada de análises apressadas ou interessadas.
– A atuação dos países do Brics em foros como o G20 desmente na prática o estereótipo segundo o qual se tratava de uma formulação com viés antiocidental – argumentou.
Vieira escreveu o artigo em função da presidência brasileira dos Brics este ano, que culmina na reunião de cúpula a partir deste domingo (6), no Rio de Janeiro. Na visão dele, o bloco constitui um “exercício criativo” de diplomacia muito útil para os dias atuais.
– A premissa do mundo em crise nos assalta a cada momento, no celular ou em outras telas por onde nos chega a informação em tempo real: falo da proliferação dos conflitos armados em curso no mundo, das guerras na Ucrânia, Palestina, Mianmar e Sudão ao drama cotidiano da espiral de violência das gangues no Haiti – citou.
O embaixador citou a origem do acrônimo Brics pelo economista Jim ONeill, que se referiu aos “mercados emergentes” Brasil, Rússia, Índia e China e à tendência de que ocupariam participação crescente no PIB mundial,
– ONeill criou o acrônimo e defendeu a tese de que era necessária uma reconfiguração do G7 para abrir espaço para esses novos protagonistas, liderados pelo crescimento expressivo da China – pontuou.
Hoje, os membros do bloco se autodeclaram países do “Sul Global”.
FAIXA DE GAZA
Sobre o conflito na Faixa de Gaza, o ministro disse que há uma crise humanitária prolongada e sem solução à vista na Palestina.
– Ninguém poderá alegar ignorância, agora ou no futuro, quanto às atrocidades e agressões que têm sido cometidas cotidianamente não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia – pontuou.
Vieira salientou que a Organização das Nações Unidas e seu Conselho de Segurança mostram-se incapazes de promover reformas voltadas a assegurar uma representatividade em sintonia com a realidade geopolítica do século 21 e a oferecer respostas eficazes aos desafios do momento.
A reforma da instituição é um dos pontos defendidos pelo Brasil não apenas no Brics, mas também em outros fóruns multilaterais, como o do grupo das 20 maiores economias do mundo (G20).
– A arquitetura de segurança pós-Segunda Guerra Mundial dá claras mostras de esgotamento e requer reformas profundas – disse.
TARIFAÇO
O texto aborda também o “tarifaço de Trump” e o enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC), salientando que a recente adoção de medidas comerciais unilaterais pelos Estados Unidos, o uso de tarifas como arma e o risco latente de uma guerra comercial global põem em risco um sistema multilateral de comércio que já se encontrava em crise profunda.
Segundo o ministro, o Brics continuará a falar com uma só voz, a partir de agora reforçada pelo peso ampliado de seus 21 integrantes, entre membros plenos e parceiros.
– A expansão fortaleceu o Brics como plataforma para responder aos desafios da atualidade e do futuro, entre eles a defesa da diplomacia e do multilateralismo, cuja reforma e fortalecimento já não podem mais esperar. Somente uma ação coletiva rápida e eficaz pode reverter o atual quadro de debilidade das instituições internacionais – defendeu.
*AE
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