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Brasileira no Líbano: “Ficamos com medo de ser um ataque”

Guia de turismo no país relatou a situação apavorante das ruas

Camille Dornelles - 07/08/2020 13h55 | atualizado em 04/09/2020 14h44

Carina Kaddissi, guia turística brasileira no Líbano Foto: Reprodução

Cerca de 16 mil brasileiros moram em Beirute, segundo o Itamaraty. O órgão federal monitora os cidadãos que residem no Líbano e afirmou que, até agora, não há informações de brasileiros entre os mortos e feridos da explosão na zona portuária da capital.

A guia turística Carina Kaddissi Tarabay conversou com o Pleno.News sobre o momento da explosão e afirmou que acreditava ser uma bomba. Ela mora no Líbano desde 2004 e há três anos trabalha guiando grupos de brasileiros em Beirute.

Como foi o momento da explosão? O que vocês viram e sentiram?
Por enquanto, a situação aqui está estável. Eu moro a cerca de 20 quilômetros da distância da explosão com a minha família. A gente ouviu um barulho muito forte, sentimos um tremor, vibração. Claro, todo mundo achou que tinha sido uma explosão de bomba e ficamos com medo de ser um ataque.

Todo mundo achou que tinha sido uma bomba

Alguma autoridade já deu explicações sobre as causas da explosão?
Tanto Exército quanto governo até agora ainda não deram respostas. Até onde sabemos, haviam armas naquele galpão, armas que não são libanesas, que estavam vindo da Rússia, se não me engano. Infelizmente, desde 2014 ninguém fez nada sobre o assunto e, por problemas na alfândega, esse contêiner com armas e substâncias explosivas ficou parado lá no porto. Agora, o que a gente acha estranho é o fato de que essa substância química não explode sozinha.

Como está o sentimento da população e a situação nas ruas?
Todo mundo está de luto, todo mundo muito triste, ninguém está entendendo e nem sabendo o que falar. Não há palavras para falar. A gente está trabalhando, quem ainda consegue, né? Mas está todo mundo sem palavras. Já estávamos em uma situação muito difícil no país por causa de diversos protestos que estavam acontecendo por causa da corrupção. Logo depois veio o vírus que agravou mais ainda a situação financeira do país, principalmente, e agora essa explosão. Muitas pessoas ficaram sem casa, muitas pessoas morreram, outras perderam suas lojas, muitas pessoas foram feridas. Mas hospitais também foram destruídos e os feridos tiveram que ser atendidos na rua.

Hospitais também foram destruídos e os feridos tiveram que ser atendidos na rua

Estão precisando de que tipo de ajuda neste momento?
A gente tem, graças a Deus, conseguido muita ajuda de fora, da França, de Chipre e até de pessoas estrangeiras. A gente não quer uma ajuda que seja mandada em dinheiro para o governo, mas uma ajuda para o povo, para ONGs como a Cruz Vermelha. A gente confia que não há corrupção e que as doações vão chegar a quem precisa, e não como o governo estava fazendo. Até o povo libanês que não foi afetado está ajudando: doando comida, doando dinheiro e disponibilizando quartos para quem perdeu suas casas.

Você comentou que o país vive uma crise política. Acredita que ela vai diminuir ou se intensificar agora?
O povo já está começando a se preparar para uma nova manifestação, tanto pelas mortes quanto pelos protestos contra o governo. Deve ser já neste sábado (8). Acho que é um grito do povo, que não está mais aguentando. Essa explosão foi uma coisa que também explodiu dentro das pessoas!

Carina com o marido Elie e o filho James Foto: Arquivo pessoal

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