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Ativista cubano pede fim da romantização da ilha: ‘Ditadura’

Yunior García Aguilera afirmou que deixou seu país para não ser "decapitado"

Pleno.News - 18/11/2021 11h45 | atualizado em 18/11/2021 12h12

cuba bandeira
Bandeira cubana Foto: Pixabay

Um dos líderes da oposição ao regime de Cuba, o ator Yunior García Aguilera, afirmou nesta quinta-feira (18), em Madri, na Espanha, que se deve acabar com a “ideia romântica que há sobre a ilha”, onde vigora “uma ditadura”.

O ativista, um dos organizadores da passeata contra o governo cubano, convocada para a segunda-feira (15), desembarcou na quarta (17) na capital do país europeu, depois de um fim de semana de cerco em Havana.

– A revolução devorou seus filhos e seus netos – garantiu García Aguilera, em entrevista coletiva.

De acordo com o ator, o “casamento entre o governo de Cuba e a população se tornou em um matrimônio falido”.

Durante o encontro com jornalistas em Madri, García Aguilera explicou por que decidiu partir com a mulher para a capital espanhola.

– Se não voássemos de Cuba, nos decapitariam – afirmou o ativista.

Ele também enumerou as pressões que sofreu com a família a partir da plataforma Archipélago, onde surgiu a iniciativa dos atos convocados para a segunda-feira passada.

– Se me condenassem, me converteriam em um símbolo; se me matassem, também. Eles queriam me anular como pessoa e quase conseguiram, porque, se eu dormia duas horas diárias, era muito – completou.

García Aguilera ainda afirmou que existe em Cuba uma estratégia em transformar em “não pessoa” todos os que se posicionem de maneira contrária ao governo da ilha.

– A estratégia do regime era me manter incomunicável em casa e me silenciar. A única coisa que tenho é minha voz. Não pedi asilo, e minha intenção é voltar para Cuba, mas não quero fazer as coisas com raiva – disse o ator.

García Aguilera, de 39 anos, desembarcou ontem em Madri com visto de turista, conforme a Agência Efe confirmou junto a fontes do governo da Espanha.

A viagem foi recebida com surpresa pelas autoridades cubanas, que negaram qualquer acordo com as autoridades espanholas.

Horas depois do desembarque em Madri, García Aguilera escreveu uma mensagem nas redes sociais, em que confirmou a viagem e agradeceu a preocupação dos amigos e de “muitas pessoas” que tornaram sua ida possível, sem nomeá-las, “já que muitas estão em Cuba e poderiam sofrer represálias”.

*EFE

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