Declarado persona non grata por Israel, Guterres condena Irã
Israel havia se queixado por secretário-geral da ONU não ter reprovado Irã inequivocamente
Thamirys Andrade - 02/10/2024 14h14 | atualizado em 02/10/2024 17h17

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou, nesta quarta-feira (2), de maneira inequívoca, o lançamento de mísseis balísticos pelo Irã contra Israel, ressaltando que essas ações “nada fazem para apoiar a causa do povo palestino ou aliviar seu sofrimento”.
As palavras de Guterres perante o Conselho de Segurança, reunido em caráter de urgência para discutir a situação no Líbano, são as primeiras que pronuncia depois de Israel tê-lo declarado “persona non grata” horas antes e ter proibido sua entrada no país, alegando que não havia condenado inequivocamente o ataque iraniano nesta terça (1º).
Até agora, Guterres não disse nada de concreto sobre a decisão de Israel, nem é provável que o faça.
O secretário-geral começou seu discurso perante o Conselho lamentando que “o terrível incêndio no Oriente Médio esteja se transformando em um inferno”, recordando que há uma semana ele já havia alertado contra a escalada de violência na região.
Nesse sentido, lembrou que os ataques do grupo terrorista Hezbollah e do Exército israelense violam várias resoluções da ONU, e insistiu que a integridade territorial do Líbano deve ser respeitada por Israel, enquanto o governo libanês “deve ter o controle total das armas no sul do país”, em referência ao arsenal do Hezbollah.
Guterres enumerou os últimos ataques e represálias que Israel, o Hezbollah e o Irã trocaram e comentou que “cada escalada serviu de pretexto para a seguinte”.
– Não podemos perder de vista o terrível preço que este conflito está causando aos civis, nem podemos olhar para o outro lado diante das violações sistemáticas do direito humanitário internacional. Esse ciclo mortal de violência mútua deve acabar. O tempo está se esgotando – disse o secretário-geral.
Não se espera que nenhuma nova resolução sobre o Líbano seja aprovada nesta sessão do Conselho, uma vez que a resolução 1706 de 2006 – violada incontáveis vezes – deveria ser suficiente, segundo o atual presidente do Conselho de Segurança, o suíço Pascale Baeriswyl.
*EFE
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