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Em Paris, Yves Saint Laurent exibe coleção Outono-Inverno

Saiba como foi o desfile da grife durante a semana de moda

Pleno.News - 27/02/2020 18h10 | atualizado em 27/02/2020 18h14

Em meio a tantas bandeiras relevantes para levantar, da sustentabilidade ao machismo em tempos de #MeToo, há espaço para grifes que preferem apenas dançar. No caso da Saint Laurent, numa pista de dança daquelas extravagantes, sexy e coloridas da virada dos 1980 para os 1990.

Foi uma referência ao último passo do exagero que seria extirpado logo depois na passarela minimalista foram o mote da coleção da marca apresentada aos pés da Torre Eiffel, dentro de uma caixa espelhada como globos de boate.

A marca desfilou na semana de moda de Paris, na quarta-feira (26), um repertório de cores quentes que tingiu looks coladíssimos ao corpo, em calças de cintura alta, tops e saias lápis que deixaram cair por terra todo o empacotamento que pregaram uma temporada de outono-inverno como esta de Paris.

O estilista belga Anthony Vaccarello desvirtuou nesta coleção o romantismo clássico que se tenta colar nos guarda-roupas há pelo menos três anos. Ele conseguiu, ao substituir o couro pelo látex, que nesta coleção assumiu o papel de deixar as garotas quase que embaladas a vácuo.

A trilha do desfile foi composta por sintetizadores, um barulho daqueles comuns aos filmes sci-fi ou aos primeiros filmes de Pedro Almodóvar, que parecem ter ganhado forma e pincelado o bloco de vermelhos estridentes em bases de tecido com algum reflexo, do veludo molhado à seda.

Essa talvez seja a coleção mais consistente e fora dos padrões conduzida por Vaccarello, cuja tesoura manda às favas relatórios de tendências e põe ‘pingos nos is’. Mostrou que, no fim das contas, quem procura uma moda como a da Saint Laurent quer mesmo é curtir, tirar selfie e se jogar na pista em paz.

É um espírito de liberdade similar ao que o português Felipe Oliveira Baptista desfilou em sua estreia na grife Kenzo, que abriu os desfiles também da quarta-feira. O espírito nômade, característico de uma juventude cada vez mais sem raízes como a de hoje, foi o mote da coleção Going Places (Indo a Lugares).

No caso da marca, o passeio é por um misto do rigor da alfaiataria francesa com a desconstrução da costura japonesa que permeou o caminho do estilista Kenzo Takada até 1993, quando vendeu sua marca. A partir daquele ano, vários estilistas passaram a criar em cima de seu legado.

Nesta nova fase, capas longas, looks de túnicas tanto para homens quanto para mulheres e roupas de proporções ampliadas, ainda que leves, produziram a imagem esportiva e jovem da coleção.
Um tigre com a bocarra aberta, por vezes colorido, outras apenas pincelado em nanquim em fundo branco, foi a única imagem usada por Baptista, que preferiu jogar com silhuetas, acessórios utilitários e toda a gama de possibilidades para roupas de viajantes chiques.

Ele compôs num mesmo look saias, coletes, cintos do tipo cartucheira, viseiras e tanques de água, tudo junto e misturado, mas que, monocromáticos, passam a impressão de serem uma coisa só. Não há excessos aparentes, apenas uma confusão bem planejada que só um estilista consciente da tesoura conseguiria produzir.

O desfile aconteceu na área externa de um centro de reabilitação para jovens surdos, dentro de uma estrutura de plástico similar àquelas montadas para quarentenas ou campos de refugiados. Nenhuma referência aos dias de hoje é mera coincidência.

Como se pedisse para que as pessoas escutassem o que acontece no mundo exterior, fora da bolha fashionista, Baptista deu um golpe de imagem que provavelmente o acompanhará nos próximos trabalhos para a Kenzo e vestirá os mais atentos ao discurso dele.

*Folhapress/Pedro Diniz

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