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Vaticano permite uso de vacinas com tecido de fetos abortados

Autoridades católicas afirmam que o uso de tais vacinas "não constitui em si uma legitimação, mesmo indireta, da prática do aborto"

Paulo Moura - 23/12/2020 10h46 | atualizado em 23/12/2020 11h15

Papa Francisco, o maior representante da Igreja Católica Foto: EFE/EPA/Vatican Media

O Vaticano comunicou à comunidade católica que considera moralmente aceitável o uso de vacinas contra a Covid-19, mesmo que sua produção utilize linhagens celulares retiradas de tecidos de fetos que foram abortados. Para o Vaticano, o uso de tais vacinas “não constitui em si uma legitimação, mesmo indireta, da prática do aborto”.

Uma nota emitida pela Congregação para a Doutrina da Fé, responsável pela doutrina da Igreja Católica, na última segunda-feira (21) afirmou que o uso de tais vacinas era permitido desde que não houvesse alternativas. No início deste mês, Andrea Arcangeli, chefe dos serviços de saúde do Vaticano, disse que começará a vacinar moradores e funcionários da cidade no começo de 2021.

De acordo com a Conferência de Bispos Católicos dos EUA (USCCB), as vacinas da Pfizer e da Moderna têm alguma conexão com linhas de células que se originaram em tecido de abortos no século passado. Os bispos disseram que as vacinas empregam linhagens de células retiradas de tecido obtido de dois abortos que ocorreram nas décadas de 60 e 70.

Segundo a revista Science, esse tipo de material é usado no desenvolvimento de vacinas há 60 anos. A nota do Vaticano disse que a concessão de legitimidade moral está relacionada ao princípio de “diferentes graus de responsabilidade da cooperação no mal”.

Na prática, o ato indica que, como a pandemia é um perigo tão grave, tais vacinas “podem ser usadas em sã consciência, com a certeza de que [isso] não constitui cooperação formal com o aborto do qual derivam as células usadas na produção das vacinas”.

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