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China: Missão explica como é a perseguição aos cristãos

Entenda a história da Igreja chinesa sob o comunismo

Pleno.News - 30/06/2021 17h25 | atualizado em 30/06/2021 18h41

Missão explica como é a perseguição aos cristãos na China Foto: Portas Abertas

Nesta quinta-feira (1º), a China celebrará os 100 anos do Partido Comunista Chinês. Tanques passarão pela avenida Changan Lu (também conhecida como Avenida da Paz Eterna), em Pequim, para comemorar a data. Filmes sobre a pátria serão exibidos na televisão e haverá transmissões públicas sobre heróis nacionais, competições de escrita nas escolas e a concessão de medalhas a membros de destaque do Partido.

O Partido Comunista Chinês gerou grandes mudanças para o país desde que assumiu o poder. A China atualmente ostenta a segunda maior economia do mundo, integra as Nações Unidas e conta com um exército poderoso. Este ano, o presidente Xi Jinping anunciou que, depois de muitos anos, a pobreza foi erradicada para centenas de milhões de chineses que viviam com menos de 1,70 dólar por dia.

ENTENDA COMO O PARTIDO COMUNISTA COMEÇOU NO PAÍS
Em 1912, a Dinastia Qing foi derrubada, terminando quase seis mil anos de governo dos imperadores chineses. O vazio foi preenchido pelo governo nacionalista Kuomintang (KMT). Mas, em julho de 1921, um grupo de jovens cativados pelos ideais comunistas de Marx e Lênin estabeleceu o próprio Partido Comunista Chinês em Xangai.

A guerra civil com o exército KMT foi iniciada e prosseguiu. Durante a guerra, Mao Tsé-Tung se estabeleceu como um comandante militar e, mais tarde, como presidente do Partido Comunista. Depois de derrotar o KMT, Mao estabeleceu a República Popular da China, em 1 de outubro de 1949.

PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS
No final de 1950, a China começou a expulsar missionários estrangeiros. A Missão para o Interior da China chamou de volta mais de 600 de seus obreiros.

Em 1954, foi criado O Movimento Patriótico das Três Autonomias para registrar e regular todas as igrejas e atividades cristãs. As igrejas que não se registraram, resistindo ao controle do Estado, passaram a ser subterrâneas, para evitar perseguição.

A Igreja sobreviveu a condições horríveis, com medo e suspeita constantes. Para evitar o monitoramento, algumas igrejas se reuniam de madrugada. Alguns oravam e jejuavam por 10, 20 ou 30 dias sem cessar. Os cristãos passavam horas adorando a Deus e estavam prontos para fugir pelas janelas e portas dos fundos, ou se esconder nos campos, se a polícia chegasse para procurá-los.

Em 1955, o pastor cristão mais famoso da China, Wang Mingdao, foi preso por causa da fé. Ele tinha fortes opiniões sobre a separação da Igreja e do Estado e estava determinado a pregar e preservar a Palavra de Deus como o único padrão de crescimento espiritual e salvação.

Wang ficou preso por 25 anos, até ser solto em 1980. Enquanto ele estava na prisão, o pastor Wang levou 96 presos ao Senhor. A fé de Wang Mingdao permaneceu forte durante sua prisão. Quando voltou para casa, em Xangai, ele continuou a pregar todas as semanas até morrer, aos 91 anos.

No final da década de 1960, a China fechou as portas para o mundo exterior, enquanto a Revolução Cultural de Mao devastava o país. Estima-se que 30 milhões de pessoas morreram de fome por políticas econômicas desastrosas e que muitos cristãos e líderes cristãos foram presos ou mortos. Nesta época, estima-se que a Igreja chinesa tenha crescido para cerca de um milhão de seguidores de Jesus.

INÍCIO DA MISSÃO PORTAS ABERTAS NA CHINA
A porta para a China se abriu apenas em 1965, quando o governo emitiu um convite para que os ocidentais selecionados visitassem a China para testemunhar o “milagre” socialista que ocorria no país.

Irmão André, como é conhecido o fundador da missão Portas Abertas, então com 37 anos, solicitou um visto e, contra todas as probabilidades, foi aceito para participar. Mais uma vez, ele mostrou que “todas as portas estão abertas para compartilhar o evangelho”, como gostava de afirmar.

Em 1975, a Portas Abertas recebeu a notícia de que, apesar da perseguição, o número de cristãos tinha crescido na china para algo entre 10 e 15 milhões. O problema era que eles não tinham Bíblias. Então, a organização começou o trabalho de contrabando de Bíblias para a China usando mensageiros que carregavam os livros escondidos em sacos ou amarrados ao corpo.

No dia 18 de junho de 1981, a missão entregou um milhão de Bíblias em uma praia, no Sul da China. A ação ficou conhecida como Projeto Pérola. Os exemplares do livro sagrado foram distribuídos por todo o país e se tornaram a “semente” para o crescimento da Igreja cristã. Nos 30 anos seguintes, mensageiros levaram milhares e milhares de Bíblias em chinês para a China provenientes de muitos países do mundo.

Em 1989, a Portas Abertas ouviu novamente o clamor dos cristãos chineses para ajudá-los a entender a Bíblia. Em muitas áreas, apenas o pastor tinha uma cópia da Bíblia e pouco ou nenhum treinamento teológico. Então, a organização começou a treinar pastores e a construir amizades fortes e solidárias com muitas redes de igrejas. Mesmo diante da perseguição que os seguidores de Jesus na China enfrentavam, houve um novo aumento no número de cristãos do país.

IGREJA CHINESA
Quando Xi Jinping assumiu a presidência, em 2012, estima-se que o número de cristãos chineses havia aumentado para mais de 90 milhões, cerca do mesmo número que os membros do Partido Comunista. Desde então, o presidente Xi Jinping está determinado a fazer o cristianismo se comportar como o comunismo.

A repressão a igrejas, pastores e jovens cristãos faz com que muitos acreditem que estamos voltando aos dias sombrios da Revolução Cultural.

A perseguição violenta do passado foi substituída pelo monitoramento das igrejas, por meio de tecnologia sofisticada de vigilância e uma estratégia para acabar com prédios e templos, e com as plataformas digitais. Os cristãos chineses estão aprendendo novamente a adaptar-se com as políticas em constante mudança, como o ensino on-line, a venda on-line de Bíblias e o contato com entidades cristãs fora da China.

O QUE ESPERAR PARA O FUTURO
A Portas Abertas trabalha para combater uma das políticas mais difíceis da China, que persegue os jovens cristãos e os trancam para mantê-los fora da igreja. Se o Partido Comunista puder neutralizar a próxima geração de cristãos, o ciclo de fé será quebrado.

As igrejas cristãs na China estão crescendo, e os cristãos do país precisam também crescer na fé por meio da Palavra de Deus. A missão continua arrecadando a doação de Bíblias, incluindo as versões digitais das Escrituras. Para saber mais sobre esse projeto, clique aqui.

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