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Missionária em Brumadinho atuou na tragédia em Mariana

Doroti Campos é a coordenadora das ações da Convenção Batista Mineira em apoio aos moradores

Virgínia Martin e Mayara Macedo - 14/02/2019 16h53 | atualizado em 18/02/2019 13h25

Quatro anos separam as tragédias de Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais. Entretanto, as lembranças daquele 5 de novembro de 2015, quando houve o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, ainda estão vivas na memória de Doroti Campos.

Aos 53 anos, a historiadora e jornalista abriu mão de tudo para ser missionária pela Convenção Batista Mineira (CBM) e ajudar as famílias das vítimas daquela tragédia. Agora, com o cenário se repetindo em Brumadinho, Doroti é coordenadora das ações que a CBM tem feito na cidade.

– A primeira coisa é ter um controle emocional porque a gente vive tudo de novo. Embora não tenha que tirar a lama das casas, como foi em Barra Longa, as pessoas perderam o emprego. Parece um pesadelo, mas a gente busca força no Senhor para poder servir – disse ao Pleno.News.

Além de reviver as lembranças das tragédias, Doroti ainda lida com problemas de saúde. A missionária sofre com lapsos de memória, fadiga, tontura e dores na perna. Resultado da contaminação por resquícios de chumbo, alumínio e níquel, que ela contraiu durante o trabalho em Mariana. Além de exames médicos e medicação, a missionária precisa ter uma dieta balanceada e rica em ferro.

Com base estabelecida na Primeira Igreja Batista em Brumadinho, Doroti coordena o trabalho de 236 voluntários. Um dos trabalhos realizados é a instalação de uma lavanderia nas dependências da igreja para ajudar os bombeiros com os uniformes. A atitude chamou atenção até mesmo da mídia internacional.

– A gente não pensa em chamar a atenção do mundo só pelo ato de lavar uma roupa que é suja por uma lama que veio de um desastre. Mas queremos tratar aquela lama que se acumula no interior dos seres humanos, a lama da indiferença.

Além da lavanderia, os voluntários concentrados na igreja oferecem apoio espiritual e emocional aos moradores. Vestidos com um colete amarelo, os membros da equipe acompanham os sepultamentos para levar um abraço e conforto aos familiares.

Os voluntários também vão para as praças desenvolver relacionamento com os brumadinhenses. Alguns voltam para a base chorando por ver vidas tão destroçadas. Agora, o próximo passo é um trabalho de palestras e recreação infantil nas escolas.

* O Pleno.News está com equipe em Brumadinho.

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