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Pastores falam sobre o futuro dos cultos presenciais e como as comunidades cristãs irão reagir na pós-quarentena

Camille Dornelles - 19/05/2020 17h08 | atualizado em 19/05/2020 17h23

Pastor Douglas Martins, da Igreja Renascer Foto: Divulgação

Com a expectativa da flexibilização da economia, os brasileiros veem a possibilidade da volta das atividades normais. No topo das prioridades das pessoas estão as igrejas, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Ideia Big Data no fim de abril.

A pesquisa mostrou que 32% dos 1.667 brasileiros entrevistados programam voltar aos cultos na mesma semana do fim do isolamento social. Pastores se preparam para este momento, mas veem possibilidade de mudança nos hábitos dos fiéis.

Os pastores Douglas Martins, da Igreja Renascer Jd. Silveira, em Barueri, São Paulo, André Camara, da Assembleia de Deus de São José dos Campos, São Paulo, e o pastor Flávio Siqueira, da Igreja Adventista de Botafogo, no Rio de Janeiro, conversaram com o Pleno.News sobre as expectativas e o que está sendo programado para o fim do isolamento.

Como a relação com os membros está atualmente?
Douglas Martins: A nossa relação esta sendo feita virtualmente. Nós criamos a visita online, por exemplo. Nós não vamos nas casas pessoalmente e a fazemos via chamada de vídeo. Levamos uma palavra e alegramos o coração uns dos outros nos vendo.

Flávio Siqueira: Está sendo principalmente pelas redes sociais, YouTube e Facebook, e também ligo para ele e uso o WhatsApp para me comunicar.

André Camara: Nós tivemos um contingenciamento de quatro níveis, primeiro presencial com menos pessoas, depois culto nos lares, depois apenas online e já restabelecidos cultos diminuídos. Atualmente estamos com um sexto da capacidade, com distância de dois metros entre as pessoas, máscaras, luvas e tudo. Antes nós fazíamos os cultos online, mas subdividimos em grupos de 30 membros que ficaram sob a liderança de um líder e este fazia contato diário com estas pessoas, enviando as minhas mensagens e as pastoreando pelo WhatsApp. Mandamos dois emails por semana, kit de Santa Ceia e dízimo pegávamos na casa deles ou os membros buscavam na igreja.

André Camara, pastor da Assembleia de Deus em São José dos Campos

O senhor está sentindo alguma dificuldade de manter a aproximação com os fiéis?
D. M: Como estamos trabalhando virtualmente ficou mais fácil de acompanhar. Porém existe uma pequena porcentagem de pessoas com as quais temos sim dificuldade, porque não utilizam a tecnologia.

F. S: Não estou não. Estou percebendo que as pessoas estão mais carentes. Muitas da nossa comunidade moram sós e vejo que elas estão mais abertas e sensíveis também.

A. C.: Começamos a perceber uma dispersão muito grande dos membros, que acho natural. Depois de quase três meses passa a ser um pouco mais dificultoso. Foi quando a gente passou a promover experiências de culto um pouco diferentes, como Santa Ceia pelo Zoom e culto drive-in, dentro dos carros. Transmitíamos numa frequência de rádio para eles não precisarem nem abaixar os vidros.

Pastor, o senhor acredita que alguns fiéis vão preferir acompanhar os cultos apenas online depois da pandemia?
D. M: Bom, uma coisa é clara: quando tudo isso passar vamos continuar mantendo os cultos online. Porque acredito sim que existe uma quantidade de pessoas que vai adotar este caminho.

F. S: Eu creio que pode acontecer com um grupo, mas que seja um grupo menor, porque percebo que muitas pessoas estão com saudade de manter o contato, do olho no olho e do abraço. Não vejo que seja um número grande de pessoas, não.

A. C.: Acho que muitos vão continuar no online, mas que, chegamos a uma normalidade de acessos para todos, por mais que gostem do online, a reunião física é completamente diferente. Se forem em um culto presencial, vão ver que não se compara com o ambiente online.

Cultos começam a retornar gradualmente durante pandemia Foto: Reprodução/ADSJC

O que estão programando para o retorno?
D. M: Bom, particularmente estou trabalhando no ambiente da igreja, na nave, departamentos, e espaço kids. Acreditamos que o ambiente é tudo. Então estamos reformando algumas partes da igreja. E, sem dúvida nenhuma, vamos fazer uma grande festa! Muito louvor, coral e coral infantil. Claro que vamos seguir as recomendações da OMS.

F. S: Vamos nos reunir com a liderança da igreja e médicos para combinar algumas medidas de início a serem tomadas para evitar qualquer tipo de contágio pela comunidade, mas assim que isto tudo se normalizar creio que será bom para todos.

A. C.: Nós já retornamos com os cultos, estamos na terceira semana de cultos flexibilizados. Pessoas do grupo de risco não podem estar presentes. A igreja tem capacidade para 700 pessoas, mas temos apenas 160 cadeiras agora. Estamos vendo que o retorno das pessoas será bem gradual. Os idosos são os mais assíduos na igreja e esses não podem ir ainda.

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