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Em entrevista, papa Francisco defende bênção a casais LGBT

Pontífice disse que a decisão do Vaticano foi mal compreendida

Pleno.News - 15/01/2024 14h45 | atualizado em 15/01/2024 16h50

Papa Francisco Foto: EFE/EPA/GIUSEPPE LAMI

A polêmica medida anunciada pelo Vaticano em dezembro do ano passado, que autorizou a bênção a casais do mesmo sexo, foi defendida, neste domingo (14), pelo papa Francisco. Em sua primeira manifestação sobre o tema, feita em entrevista ao programa italiano Che Tempo Che Fa, do Canal 9, da Itália, o pontífice disse que a decisão foi mal compreendida.

– Na maioria dos casos, quando as decisões não são aceitas, é porque elas não são compreendidas – disse Francisco em entrevista ao programa televisivo Che Tempo Che Fa, do Canal 9, da Itália.

Depois que a decisão foi anunciada, no último dia 18 de dezembro, as reações foram imediatas, especialmente entre bispos da África. A Conferência Episcopal de Moçambique, por exemplo, anunciou que não seguiria a recomendação sob alegação de que abençoar essas uniões provocaria “questionamento e perturbações”.

Na sequência, a mesma decisão foi tomada em Malauí e Zâmbia – país onde a simples relação homossexual pode ser punida com 15 anos de prisão ou até execução. Bispos de Angola, Quênia, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Uganda e Zimbábue estiveram entre os demais clérigos africanos que disseram que não abençoariam casais do mesmo sexo.

– O perigo é que, se eu não gosto de algo e coloco isso [a oposição] em meu coração, eu me torno uma resistência e tiro conclusões feias. Foi o que aconteceu com essas últimas decisões sobre bênçãos para todos – disse o papa na entrevista à TV italiana.

SOBRE A DECISÃO
O Vaticano aceitou a “possibilidade de abençoar” casais “em situação irregular”, ou do mesmo sexo, sem equipará-los ao casamento, em um documento publicado no dia 18 de dezembro do ano passado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé.

No texto, o prefeito dessa congregação, o cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, declarou que “pode-se compreender a possibilidade de abençoar casais em situação irregular e casais do mesmo sexo, sem validar oficialmente o seu status ou alterar de alguma forma o ensinamento perene da Igreja sobre o matrimônio”.

Esta possibilidade, que seguiu a vontade do papa Francisco, representou uma mudança de posição em relação àquela que o Dicastério publicou em março de 2021, então liderado pelo espanhol Luis Ladaria Ferrer, e que dizia que a Igreja Católica não poderia transmitir sua bênção às uniões de pessoas do mesmo sexo.

A declaração recebeu o nome Fiducia supplicans: sobre o sentido pastoral das bênçãos e foi a primeira que a Doutrina da Fé, antigo Santo Ofício, publicou nos últimos 23 anos, desde a Dominus Jesus (2000). Trata-se, em primeiro lugar, de um longo texto no qual se analisa a origem e o significado teológico do ato de abençoar, revendo-o a partir do Antigo Testamento e das Escrituras.

– Em seu mistério de amor, por meio de Cristo, Deus comunica à sua Igreja o poder de abençoar. Concedida por Deus ao ser humano e concedida por este ao próximo, a bênção se transforma em inclusão, solidariedade e pacificação. É uma mensagem positiva de conforto, atenção e incentivo – diz o texto.

No entanto, apesar da abertura da bênção a esses casais, o Vaticano rejeita como “inadmissível” qualquer “rito ou oração que possa criar confusão entre o que é constitutivo do casamento”, como os realizados pelo clero alemão, que oferece “atos de bênção”, apesar do desacordo da Santa Sé.

– Não se deve promover nem prever um ritual de bênção de casais em situação irregular, mas também não se deve impedir ou proibir a proximidade da Igreja em todas as situações em que a ajuda de Deus é solicitada através de uma simples bênção – sentencia a Doutrina da Fé na sua declaração.

A bênção dos casais homossexuais ou “irregulares”, isto é, daqueles que não são casados ​​canonicamente pela Igreja, pode ser precedida de uma “breve oração” na qual o sacerdote pode pedir para os abençoados “paz, saúde, espírito de paciência , diálogo e ajuda mútua”.

*Com informações AE e EFE

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