”Você pode me perdoar, Abuna?”

Israel Belo - 09/11/2019 08h00

“Eu lhes disse que o caminho de um pacificador era difícil: demandava perdão profundo, apostar na amizade dos seus inimigos e pedir pela paz sobre seus joelhos e nas ruas”. (Elias Chacour)

O árabe Elias Chacour era padre (“Abuna”, em árabe) na cidade de I’bilin, no norte de Israel.
Logo percebeu que as pessoas guardavam profundos rancores umas das outras, por causa de rivalidades familiares e hostilidades políticas. Como seus sermões sobre a paz não surtiam efeito, um dia ele trancou com correntes a porta da igreja e disse:
— Tenho tentado unir vocês durante meses. Falhei. Eu sou um homem, mas há alguém que pode fazer vocês viverem juntos. Seu nome é Jesus Cristo. Ele tem poder para os perdoar.
Então, radicalizou:
— Se vocês não perdoarem, ficaremos trancados aqui. Se quiserem, podem se matar uns aos outros e eu farei de graça o funeral.
O silêncio imperou, até que um homem, que não falava há anos com seus irmãos, levantou-se:
— Sinto muito. Você pode me perdoar, Abuna?”.
Elias respondeu:
— É claro que eu te perdoo! Agora vá cumprimentar seus irmãos.
Os três irmãos do homem correram em sua direção e se abraçaram longamente, pedindo perdão um ao outro.
Primos que não se falavam há anos choravam juntos. Mulheres pediram perdão por fofocas maliciosas. Homens confessaram mentiras prejudiciais que repassavam.
Depois da reunião, Elias destravou a porta e foi com os crentes para as ruas. Ele narra o que aconteceu:
— Durante o resto do dia e até tarde da noite, eu me juntei aos grupos que iam de casa em casa. Em todas as portas, tinha alguém pedindo perdão por algum erro. O perdão não era mais retido.
Graça é perdão, perdão que recebemos de Deus, a quem ofendemos, perdão que oferecemos aos outros, que nos ofenderam.

“Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros”. (Colossenses 3.13)

 

Israel Belo é pastor da Igreja Batista Itacuruçá, na Tijuca, Rio de Janeiro, graduado em Teologia e Comunicação, pós-graduado em História, mestre em Teologia e doutor em Filosofia.

 

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