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Uma fé simples, talvez seja isso o que Deus espera de nós

A fé que proclamamos com tanta ousadia e a que expressamos não parecem ser a mesma coisa

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Uma fé simples, talvez seja isso o que Deus espere de nós / Foto: Reprodução

Marcelo Martins - 06/01/2018 05h00 | atualizado em 06/01/2018 10h47

E Deus disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi”. Gênesis 22:2

QUANDO COMECEI A DESLIGAR O COMPUTADOR, o telefone soou. Relutei por alguns segundos… mas atendi. Logo fui surpreendido pela voz aflita de um amigo, que me disse: “Pastor, neste momento, alguns médicos estão tentando reanimar minha irmã; ela sofreu uma parada cardíaca”. Sem pensar duas vezes, convidei-o para que juntos clamássemos a Deus por um milagre. Eu estava consciente do quadro clínico alarmante em que a irmã dele se encontrava, no entanto decidi não dar atenção às circunstâncias; pelo menos naquele dia. Afinal, “o Senhor é bom para com aqueles cuja esperança está nele, para com aqueles que o buscam” (Lamentações 3:25).

Numa fração de segundo, tentei preencher meu pensamento com versículos bíblicos que nos motivam a crer no poder de Deus; a um deles, agarrei-me como a um bote salva-vidas: “Existe alguma coisa impossível para o Senhor?” (Gênesis 18:14). Revestido de sinceridade e convicção, alicerçado nos princípios bíblicos que despertavam na memória, orei ao Senhor na esperança — e na certeza também — de um ato sobrenatural. Terminei a intercessão com palavras de louvor, embora não imaginasse o que aconteceria.

Cinco minutos depois… o telefone soou mais uma vez. Levei alguns segundos para assimilar aquela notícia. A irmã do meu amigo faleceu assim que concluímos a oração. Os versículos que antes fervilhavam em minha mente — motivando-me a crer, não obstante a gravidade da situação — começaram a se esfarelar. Nesta hora é impossível resistir àquela frase que desponta no pensamento: “Por que as coisas não aconteceram como eu esperava?”.

Ao receber aquela notícia — mesmo depois de uma oração carregada de convicção na atitude sobrenatural de Deus — minha fé se abalou, e fiz questão de reconhecer isso. Não quis me escudar nas mesmas desculpas de sempre, não quis pôr a culpa na vontade de Deus. Não disse: “Deus quis assim…”. Apenas reconheci que — de uma forma que a minha mente ainda não era capaz de assimilar — algo não aconteceu como eu esperava.

Esta a questão principal: reconhecer que não existe fé inabalável; aliás, é necessário que a fé seja inabalável? Uma fé simples, talvez seja isso o que Deus espera de nós; uma fé revestida do mesmo sentimento que faz o filho acreditar que o pai não o deixará cair do colo.

Tentei consolar meu amigo da melhor forma possível… e seguimos em frente. A dor permaneceria por anos. Ainda bem que temos um Deus que nos faz experimentar a paz que excede a todo entendimento.

Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem. Salmos 23:4


Marcelo Martins é pastor, editor, escritor e professor. Formado em Letras e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas.
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