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Pode ser legítima a nossa ambição 

Israel Belo - 26/06/2020 05h00

“Era o desejo de viver, expressão vital que construiu catedrais góticas, que criou sonatas de Mozart. Eu acredito que vai ficar assim por muito tempo”. (August Macke)

Todos recebemos uma herança, da qual começamos a desfrutar com os nossos pais ainda em vida.

Todos também nascemos por causa de um desejo, que se transformou em vários e foram colocados diante de nós como horizonte a ser descortinado, tendo nas costas uma mochila.

Viver é desejar.

Talvez nos tenham desejado um horizonte breve: sobreviver, tocando a vida como der.

Talvez nos tenham sugerido (quem sabe? exigido) um horizonte longo: viver, transformando o que vier.

Todos precisamos tomar uma decisão: que horizonte queremos percorrer?

Se for para transformar, devemos cuidar para que a ambição não nos transforme naquilo que não podemos ser: malvados, tudo fazendo pelo poder.

Se for para tocar a vida, não: isto não podemos querer.

Mesmo que tenham esperado pouco para nós, é legitimo muito mais almejar.

Mesmo que tenham posto pouco alimento em nossa mochila, devemos ir além do que para nós conseguiram imaginar.

Mesmo que nossa mochila só tenha livros que mostrem perigos, ressaltem medos, recordem fracassos, podemos outras páginas ler.

Mesmo que nossa mochila esteja quase vazia, podemos enchê-la. Mesmo que seja ou tenha ficado feia, podemos renová-la.

Desejar é viver.

Vivamos de tal modo que possamos, olhando para trás, ver que percorremos uma estrada maior do que aquela para nós desenhada, porque decidimos alongá-la.

Existamos de tal modo que leguemos aos nossos filhos um horizonte mais claro e largo do que o que recebemos, dispondo em suas costas uma mochila mais bonita que a que herdamos, com itens que lhes permitam andar e também voar.

“Agrade-se do SENHOR e ele satisfará os desejos do seu coração”. (Salmo 37.4)

Israel Belo é graduado em Teologia e em Comunicação, pós-graduado em História, mestre em Teologia e doutor em Filosofia.

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