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O Deus da superação

Évilin Bastin - 23/04/2019 05h00


“Não diga: ‘Por que os dias do passado foram melhores que os de hoje?’, pois não é sábio fazer esse tipo de pergunta”
(Eclesiastes 7:10).

Outro dia, minha irmã postou algo interessante no Facebook que diz mais ou menos o seguinte: “Ocasionalmente, você deve chorar profundamente por causa da vida que você esperava que tivesse tido. Sofra o luto pelas perdas. Em seguida, lave seu rosto, confie em Deus e abrace a vida que você tem”.

Não temos controle sobre a vida. Pelo menos não como um todo. Podemos compará-la com o mar, hora calmo e tranquilo e, se você sabe nadar, tudo bem; noutras vezes, ele é agitado, revolto e nadar se torna impossível, pelo menos da perspectiva humana. Já se sentiu assim? Paralisado diante da agitação dos acontecimentos?

Sofremos perdas. Há coisas que acontecem que fogem ao nosso controle e não dependem só de nossas decisões. Quando olhamos para trás, sofremos por ver que a vida tomou rumos totalmente diferentes daqueles que esperávamos. Nossas escolhas, muitas vezes sem Deus, nos levaram por caminhos de angústia, tortura, arrependimento e até mesmo amargura. Outras vezes as escolhas de outros ao nosso redor não corresponderam às nossas e isso nos fez sofrer. Se pudéssemos voltar atrás, mudaríamos atitudes, teríamos outras reações. Charles Chaplin dizia que “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.

Se a vida não permite ensaios e retornos, ela nos dá novas chances, mas só podemos desfrutar disso quando não nos agarramos ao passado. Saber “deixar ir” o que já passou é uma sabedoria apreciada pelo autor de Eclesiastes, o homem mais sábio que já existiu. Deus nos dá novos amanheceres, esperanças que se renovam, misericórdias sempre prontas a nos abraçar logo ali à frente.

O tempo do luto, do choro e do lamento pelo que não aconteceu, pelo futuro abortado que não foi possível, é necessário. Mas viver nele para o resto da vida não provém da sabedoria. A vida é o que é, e não há como recuperar o passado. Mas é possível abraçar a vida como ela é agora e entregar os amanhãs a Deus. Ele é refúgio e fortaleza para nós nessas horas de sofrimento. Por Ele, com Ele e para Ele, podemos crer no amanhã. Não estamos sozinhos em nossos sentimentos. Ele é Pai. Ele sofre juntinho conosco. Ele sabe os planos que tem para nós, “planos de vida e não de morte, para nos dar um futuro e uma esperança” (Jeremias 29:11).

Que o Deus da superação ressuscite nossas esperanças quebradas em um futuro glorificado, onde mesmo esse luto pelo que não foi vivido faça sentido em não ter acontecido! Boa Páscoa.

Évilin Bastin é formada em Comunicação Social pela UFRJ e em Teologia pelo STBSB. Atuou como missionária pela JOCUM em diversos países e pela JMM na Índia por 3 anos. Atualmente é líder do ministério com estrangeiros na Gateway Community Church, estado de Wisconsin, EUA.
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