Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte…

Não temerei mal algum, porque Tu estás comigo

Ainda que ande pelo vale da sombra da morte...

Ainda que ande pelo vale da sombra da morte... Foto: Pixabay

Valtair Miranda - 02/12/2019 05h00

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. ” Salmos 23:4

O salmo 23 fala de um vale da sombra da morte. O salmista, tendo Deus como seu pastor, ainda que ande pelo vale da sombra da morte, não temerá qualquer mal.

É curioso perceber que a sombra da morte, neste caso, está no vale. Eu poderia imaginá-la com mais facilidade nos becos escuros, nas alturas de uma montanha perigosa ou na travessia de um rio caudaloso.

Mas o autor deste Salmo conhece vida de ovelha, e parece saber que o perigo pode estar onde ele menos espera. Em outras palavras, a sombra da morte está nos vales, nas montanhas, nos becos e nos rios. Está em todos os cantos. Se alguém tem medo desta sombra, não sai do lugar.

A sombra também lembra a escuridão, momento em que os medos parecem aflorar com mais intensidade. Mas o salmista não teme. Sua coragem não está na força de seus braços ou na velocidade de suas pernas. De onde vem, então, a coragem do salmista?

Primeiramente, da companhia de Deus. Ele não teme o mal, porque Deus está com ele. A presença de Deus é algo maravilhoso. Mais maravilhoso ainda é a percepção dessa presença.

É triste perceber que alguns crentes não conseguem perceber a presença de Deus ao seu lado, e, por isso, mesmo com ele por perto, se sentem sozinhos. O crente não está sozinho porque Deus nunca o abandona. Suas promessas vão ainda além, ao dizer que “o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Salmos 34:7).

A expressão “o anjo do Senhor” é uma referência ao próprio Deus. Ele está acampado ao nosso redor para nossa proteção. Isso não significa que nada passará por este muro, mas o que passar objetiva o nosso bem.

Paulo escreveu na sua carta para a igreja de Corinto: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Coríntios 10:13).

Em segundo lugar, a coragem do salmista vem do consolo de Deus. Ele usa as imagens do bordão e do cajado. Com estes dois instrumentos o pastor guia o seu rebanho. Se a ovelha precisa se afastar de um perigo, mas se encontra resistente, a vara será usada. Se ela estiver em um poço ou buraco, o cajado será usado para puxá-la de volta. Se ela quer ir para um lado, e o pastor deseja o outro, ambos os instrumentos podem ser úteis nesta hora.

O salmista, na sua experiência, poderia lembrar dos momentos em que precisou guiar suas ovelhas com o bordão e o cajado. Estes instrumentos não são armas contra as ovelhas. Um bom pastor não os usaria para bater no rebanho, como se bate numa rocha. A disciplina poderia até ser necessária, mas é o bem do seu rebanho que está em vista. Por isso, o salmista vislumbra a direção de Deus como alívio para alguma situação de tristeza ou angústia.

Valtair Miranda é professor, conferencista e escritor de várias obras como O Caminho do Cordeiro e Lutero: História, Poder e Palavra.