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Daniela Araújo: ‘Lutei muito para voltar à minha essência’

Cantora falou sobre superação, amadurecimento, depressão e nova fase na carreira

Ana Luiza Menezes - 05/09/2019 00h44 | atualizado em 05/09/2019 12h49

Daniela Araújo Foto: Reprodução

De passagem pelo Rio de Janeiro, para uma parceria com a nova contratada da MK Music, Bekah Costa, a cantora Daniela Araújo conversou com o Pleno.News sobre a nova fase de sua carreira. Com o single Mi Jesús, ao lado de Evan Craft, ela se lança de vez no mercado da música cristã na América Latina.

No bate-papo, a artista abriu o coração e falou sobre assuntos como amadurecimento e depressão. Confira , abaixo, o que Daniela falou sobre sua vida e trabalho.

Como surgiu esse novo projeto ao lado de Evan Craft? Com quem mais pensa em fazer parceria?
Foi interessante. Deus age de forma muito diferente comigo. Alguém me mandou, por direct o perfil dele. Ele me seguia e passei a segui-lo também. Na época, vi que ele estava em Machu Picchu e arrisquei uma mensagem de que já estive lá. Ele respondeu, falando que admira meu trabalho e a música do Brasil. Ele me chamou para fazer uma colaboração e me pediu para avisar quando eu estivesse gravando em espanhol. Na verdade, eu já estava, então enviei algumas músicas e ele escolheu Mi Jesús. Eu fui à Expolit, em Miami, e lá nos Estados Unidos gravamos em um estúdio a canção e depois o clipe. A gente se esforçou demais e em poucos dias a canção já teve mais de meio milhão de visualizações. No Brasil, já fiz trabalhos muito legais com Fernanda Brum e Davi Sacer, entre outros. Eu penso na Bruna Karla, que me encanta não só pelo trabalho, mas pelo jeito de ser. Penso ainda na Aline Barros. São tantas pessoas que marcaram a minha vida, mas acredito que Deus está direcionando e fazendo tudo acontecer no tempo certo.

Pretende continuar investindo na carreira na América Latina?
Eu fui muito bem recebida na Colômbia por estar ao lado de uma pessoa tão respeitada como o Evan. Já tenho mais outras quatro colaborações para lançar, pois Deus abriu as portas. O próximo single é com Kike Pavón, da Espanha, e a Lizzy Parra, que é uma rapper da República Dominicana. Tem [projeto] também com o Indiomar e Musiko, para o cantor Gabriel. Estou muito feliz com os resultados. Incentivo todos os cantores brasileiros a expandirem o ministério porque é uma oportunidade de poder realmente falar e compartilhar tudo o que Deus está nos dando aqui no Brasil.

Essa nova fase internacional na carreira era um sonho?
Isso aí é Deus quem faz. E sempre sonhei com isso. Desde que eu comecei a cantar eu queria fazer algo pela America Latina porque ouço cantores em espanhol desde criança, como Marcos Witt, Jaci Velazquez, Jesús Adrián Romero e Ingrid Rosario. Mas em 2016 comecei a focar nessa ideia e Deus foi vendo o meu coração. Quando a gente se dedica, Deus vai abrindo portas. Quando é de Deus, as coisas fluem. E uma das coisas que me deixou mais feliz nesse novo trabalho é que eu precisava de um renovo. Depois de tudo que eu passei, eu precisava de um renovo de Deus para trabalhar com algo diferente e Deus foi conduzindo para que fosse agora. Por isso, estou muito feliz.

“Quando a gente se dedica, Deus vai abrindo as portas”, disse a cantora Foto: Reprodução

O que tem aprendido nesse tempo de sua vida?
Deus está me mostrando que o mundo é muito grande e a gente, às vezes, fica fechado nos nossos problemas. E naquele círculo você não vê que Deus tem um leque de possibilidade para nós. Muitas vezes, nós é que não nos abrimos ao novo de Deus. E não adianta a gente passar por uma transformação um renovo e querer continuar trabalhando da mesma maneira de antes. A gente precisa acompanhar o novo processo, e isso requer também escolhas difíceis. Por exemplo, para mim foi difícil entender que esse não era o momento de fazer algumas coisas no Brasil, e não por causa do meu público, mas por mim e pelo que Deus estava querendo trabalhar em mim. O meu público aqui no Brasil é maravilhoso e eu sei que quando eu lançar meu trabalho, Catarse, vai ser uma bênção, pois vai ser uma semente espiritual.

Como foi o período de transformação?
Eu lutei muito para voltar à minha essência, para voltar a fazer música sem me importar primeiramente com o mercado, com a demanda e com o que as pessoas gostam. Então, foi muito desafiador para mim fazer esse regresso e só agora que eu me encontrei é que estou me sentindo preparada para compartilhar com as pessoas as sementes que eu quero jogar no Brasil.

Como é ser inspiração para tanta gente?
Uma honra, mas na verdade o que a gente precisa fazer é se parecer com Jesus, pois Ele é santo e também humano. E essa parte humana Dele nos enobrece porque a gente é ser humano. E quando a gente olha para o ser humano que Jesus foi, a gente percebe que é isso que o mundo precisa mesmo, sem demagogias e sem apelação. Eu acredito que é isso que os jovens procuram: pessoas reais, que têm também problemas, mas que passam por esses problemas de uma forma diferente, sorrindo, superando, entendendo que tudo passa, de uma forma leve. E é isso que inspira as pessoas.

E quem te inspira?
Quem me inspira são pessoas reais e é isso que que eu quero fazer quando alguém se espelha em mim. Não quero que as pessoas tenham uma imagem de algo irreal, ilusório. Eu quero que elas realmente entendam que nós somos todos iguais: ser humanos com problemas. Mas podemos passar pelos problemas agradecendo a Deus, acreditando que tudo tem um propósito.

“Eu precisava de um renovo de Deus”, contou Daniela, que vive novo momento Foto: Reprodução

Você viveu um período difícil e teve a vida exposta. Como lidar com momentos difíceis e superar uma depressão?
Existem dois fatores nessa questão da depressão e dos problemas psicológicos. Primeiro, a gente precisa entender que quando a gente precisa de ajuda, a gente tem que aceitar essa ajuda. Muitos não aceitam ou não têm consciência do que estão sentindo. Quando eu tive depressão foi em vários momentos – porque, às vezes, a depressão vai e volta; ela é um mal desse século. É necessário procurar ajuda e se respeitar porque não tem como alguém ajudar se a gente também não se ajuda. Mas também eu vejo que essa geração atual tem um déficit muito grande em relação à realidade. A gente está em um momento no qual as pessoas vivem como num mundo paralelo e desse jeito é muitos mais fácil as elas ficarem idealizando coisas que não existem, vivendo em busca de uma ilusão e a realidade nunca vai satisfazê-las. Por isso eu acredito que nós precisamos buscar maturidade. É preciso entender também que o sofrimento faz parte da vida. A gente só amadurece quando a gente sofre. O sofrimento é necessário na vida. Estou me preparando para fazer parte da campanha do Setembro Amarelo e vou lançar um vídeo para fortalecer isso. Vou produzir, na próxima sexta-feira, uma vinheta.

Como a sua experiência pode ajudar outros?
Eu passei por um bullying muito grande na internet quando tudo aconteceu comigo, quando eu fui exposta. E foi muito difícil superar. A princípio, eu achava que ia ficar tudo bem rápido, mas demorou muito. Foi necessário mais de um ano para eu compreender a dimensão de tudo o que tinha acontecido. E mesmo a minha família me protegendo, junto com a Igreja Batista da Lagoinha e o pessoal da Estância Paraíso, foi muito difícil entender as consequências da exposição que eu sofri. E lidar com todo o julgamento das pessoas foi duro. Mas também é muito importante não só a gente se proteger, mas também ajudar as pessoas, de fato, e compreender que todos passam por problemas e que a vida ensina. Algumas pessoas me procuraram para falar que me julgaram, mas após serem expostas, passarem pelo que passei, entenderam como me senti. Por isso, não tem como a gente falar de algo que a gente não passou. Se você não está ‘calçando os sapatos’ daquela pessoa, não tem como sequer especular sobre o que ela está passando. E a gente precisa viver para ter propriedade para falar.

O que espera ver na juventude e em sua vida espiritual?
Que Deus possa dar discernimento pra gente e pra essa juventude. E que a gente possa amadurecer e superar os nossos problemas. Devemos nos conscientizar e mostrar às pessoas que se somos Igreja, se somos cristãos, devemos que fazer a diferença na prática. Porque ser cristão teoricamente eu fui a minha vida inteira, mas quando eu precisei ser cristã, eu não fui. Atualmente, eu quero ser cristã não ‘só de falar aleluia, glória a Deus’, cantando hinos. Quero ser ser uma boa cidadã, amar as pessoas quando elas precisam, perdoar e não ficar aí brigando por coisas pequenas e espalhando o que é ruim, pois isso faz com que o evangelho fique com uma imagem deturpada. Eu acredito muito nessa nova geração e essa abertura que o evangelho tem, hoje em dia, vai sim levantar jovens diferenciados com muita coragem, jovens reais que não aceitam ‘meias verdades’ para poder, assim, ajudar a humanidade.

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