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Uefa veta iluminação LGBT em estádio durante partida

Entidade se declarou uma "organização politicamente e religiosamente neutra"

Pleno.News - 22/06/2021 10h20 | atualizado em 22/06/2021 10h58

Uefa veta iluminação de arco-íris em estádio para Alemanha x Hungria
Fachada do estádio Allianz Arena iluminada com as cores do arco-íris do LGBT

A Uefa anunciou nesta terça-feira (22) que rejeitou a ideia da cidade de Munique, na Alemanha, de iluminar o seu estádio, a Allianz Arena, com as cores do arco-íris da comunidade LGBTQI+ para a partida entre Alemanha e Hungria, pela terceira rodada do Grupo F da Eurocopa, em sinal de protesto contra uma lei aprovada na Hungria.

– De acordo com seus estatutos, a Uefa é uma organização politicamente e religiosamente neutra. Dado o contexto político do pedido (uma mensagem sobre uma decisão adotada pelo Parlamento nacional húngaro), a Uefa deve rejeitar o pedido – afirmou a entidade europeia em um comunicado oficial.

No entanto, a Uefa, que disse “compreender que a intenção é enviar uma mensagem para promover a diversidade e a inclusão”, aceitou a ideia de propor datas alternativas para a iluminação do estádio com as cores do arco-íris.

– Pode ser em 28 de junho, no Christopher Street Liberation Day (dia do Orgulho), ou pode acontecer entre 3 e 9 de julho, que corresponde à semana do Christopher Street Day em Munique – informou a entidade.

Organizadora da Eurocopa, a Uefa afirmou que há muitos anos faz campanhas a favor da diversidade e da igualdade no futebol.

– O racismo, a homofobia, o sexismo e todas as formas de discriminação são uma mancha em nossas sociedades e representam um dos maiores problemas do esporte na atualidade. Comportamentos discriminatórios prejudicam as partidas, e, fora dos estádios, o discurso na internet a respeito do esporte que amamos – disse a entidade.

A iniciativa dos alemães foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, que considerou o pedido “nocivo e perigoso”.

– É muito nocivo e perigoso quando alguém tenta misturar política e esporte. Houve algumas tentativas de fazer isso na história mundial, e essas [tentativas] acabaram muito mal – disse Szijjártó em entrevista a um canal de televisão em Luxemburgo.

Em seu pedido, Munique acrescentou que condena a política do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, considerada “discriminatória contra as minorias sexuais”. Szijjártó considerou a atitude da cidade alemã uma resposta à lei proibindo conteúdos considerados pró-LGBTQI+ em escolas, aprovada pelo parlamento húngaro na última semana.

– Aprovamos uma lei para proteger as crianças húngaras, e há protestos contra isso na Europa Ocidental. Eles tentam trazer política para um evento esportivo quando esse evento não tem nada a ver com a legislatura nacional – completou o chanceler.

Por sua vez, a Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão) concordou com a iluminação do estádio de Munique com as cores da bandeira do arco-íris. Entretanto, o porta-voz da seleção nacional, Jens Grittner, disse que o gesto não precisava ser feito necessariamente na partida contra a Hungria.

No domingo (20), a Uefa abriu uma investigação contra a federação pelo fato de o goleiro Neuer usar, desde o início da competição, uma braçadeira de capitão com as cores da bandeira LGBTQI+. A entidade tentou avaliar um possível uso político do adereço, mas não puniu o jogador por entender ter se tratado de uma “boa causa”.

*AE

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