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‘Muitas pessoas falaram que eu não chegaria em lugar nenhum’

Rebeca Andrade revelou que já enfrentou vários comentários negativos

Ana Luiza Menezes - 03/08/2021 19h05 | atualizado em 03/08/2021 19h07

Rebeca Andrade Foto: EFE/EPA/TATYANA ZENKOVICH

A ginasta medalhista olímpica Rebeca Andrade, de 22 anos, deu declarações sobre como foi sua trajetória até o sucesso nas Olimpíadas. Ela revelou que teve que lidar com comentários negativos.

A jovem destacou o papel de sua mãe em sua educação e carreira.

– Tiveram muitas pessoas que falaram que eu não chegaria em lugar nenhum, que os meus irmãos seriam perdidos na vida, que minha mãe só teria desgosto, é totalmente o contrário, os meus irmãos são as melhores pessoas que eu conheço no mundo, minha mãe criou pessoas incríveis, respeitosas, educadas, inteligentes, que respeitam tudo e todo mundo, a gente tem o maior orgulho da nossa mãe, ela é nossa maior referência de tudo na vida e é isso. Para as pessoas que torceram por mim, muito obrigado, de coração, e para as que não torceram, elas estão sendo obrigadas a me ver aqui com duas medalhas no peito e com o maior orgulho, com o país inteiro e com o mundo torcendo muito por mim – disse Rebeca ao programa UOL News Olimpíadas.

Rebeca também foi questionada a respeito da americana Simone Biles, que desistiu de finais alegando a desconexão entre corpo e mente. Em sua avaliação, a pressão que uma ginasta dos Estados Unidos sofre é muito grande.

– A expectativa sempre esteve presente nas pessoas, até mesmo em mim, só que ela nunca chegou a ser uma pressão, porque eu não era obrigada a levar duas medalhas para o Brasil, eu não era obrigada a subir no pódio, eu me sentia na obrigação de fazer o que eu trabalhei, tudo o que eu fiz para estar aqui. Eu queria fazer boas apresentações, com bons resultados e o resultado veio, eu estou aqui com duas medalhas, então eu não levo como uma pressão para mim. Acredito que para a Simone tenha sido muito diferente porque Estados Unidos é um país referência dentro da ginástica e ela é extraordinária, todo mundo sabe de tudo o que ela é capaz. Eu sempre admirei demais o psicológico dela, porque deve ser muito difícil você se sentir na obrigação de ter que levar uma medalha para o seu país. Você não está na competição para se divertir, para aproveitar o momento, você está lá porque você tem que levar uma medalha e o esporte não tem que ser assim, as pessoas precisam entender, os atletas não são robôs, a gente tem sentimento, passa por momentos difíceis tanto dentro quanto fora do esporte – falou a brasileira.

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