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Zé Roberto fala sobre a fé nos bastidores do futebol

Jogador do Palmeiras disse que já se sentiu perseguido por expressar sua fé dentro dos clubes

Gabriela Doria - 23/08/2017 12h03 | atualizado em 19/12/2017 20h27

“Eu vim para profetizar”. Foi assim que Zé Roberto, lateral-esquerdo do Palmeiras e ex-seleção, emocionou o público da Primeira Igreja Batista do Recreio, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde falou um pouco de si. Aos 43 anos, ele é conhecido por ser o atleta mais velho a jogar no futebol de alto rendimento do país. Entretanto, é famoso também por algo ainda mais nobre: sua fé em Jesus Cristo. E através da fé e com seu passaporte alemão, ele pretende resgatar almas nos lugares mais necessitados, como a África, a Zâmbia e o Congo.

Há mais de 20 anos dedicando sua vida à família e a Cristo, a fé do jogador ficou evidente na estreia do Campeonato Paulista de 2015. No emocionante vídeo antes da partida, o atleta diz aos companheiros que batam no peito uns dos outros e digam “o Palmeiras é grande”.

Aquela preleção veio da parte de Deus. Quando eu saí do Grêmio, eu orei para ir ao Palmeiras com um propósito. E Deus falou no meu coração. A partir dali o Palmeiras voltou a ser campeão

Você se considera uma referência para os novos atletas?

Eu acho que as pessoas prestam mais atenção quando você é experiente. Quando se é um atleta com bagagem, que já passou por muitas situações na carreira, você acaba servindo como uma espécie de consultor. Você se torna uma pessoa que traz conselhos para os mais jovens, ainda mais quando você é referência pela longevidade, pela história na carreira e pelas marcas alcançadas.

Alguma vez já se sentiu perseguido dentro dos clubes por causa da sua fé?

Certa vez, um treinador proibiu que a gente fizesse reuniões nos clubes. Eu fiquei muito triste na época, pois foi Deus quem me levou para aquele time. Mas aquele momento difícil serviu de estímulo. Jesus quando iniciou seu ministério foi muito estrategista. E eu aprendi através da Palavra que precisamos ter estratégia também. A nossa foi fazer as reuniões nos lares de outros atletas. Toda segunda-feira, dia das folgas, a gente elegia a casa de um jogador e convidava as famílias. O grupo foi crescendo e Deus fez grandes coisas pelo clube naquela época.

Como você lida quando um técnico ou dirigente proíbe as reuniões?

Eu acho que as pessoas têm direito de buscar sua crença e exercer sua fé. O treinador do Santos – na ocasião o técnico era Vanderlei Luxemburgo – era quem queria que as reuniões parassem. E os atletas aceitaram. É algo que precisa ser respeitado. Se tem alguém no grupo de outra religião que queira exercer sua fé dentro do clube pode gerar algum conflito.

Como membro da Assembleia de Deus e jogador de futebol, de que forma você conseguiu se manter fiel aos ensinamentos de Jesus?

As coisas aconteceram muito rápido na minha vida. Sempre fui um atleta muito focado. Desde adolescente eu já sonhava em ter uma família e ser jogador profissional. Com 18 anos me profissionalizei, aos 21 estava na Europa e já casado. Eu não tive tempo para curtir noitadas, mulheres, bebida, pois sempre fui focado na carreira. Essas coisas não conseguiram me atingir porque eu já tinha minha família, que foi meu maior alicerce. A família é meu porto seguro.

Durante o testemunho, Zé Roberto deu algumas pistas sobre o futuro após os gramados. Segurando seu passaporte alemão diante das pessoas, o jogador disse:

– Vocês estão vendo isso? Isso aqui é minha passagem para chegar aos cantos do mundo onde mais precisam. É para chegar à África, à Zâmbia, ao Congo e resgatar aquelas almas.

 

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